Por joyce.caetano

Filipinas - Do lado de fora de uma igreja destruída na cidade litorânea filipina de Tacloban, em uma estrada cercada por corpos não recolhidos e montes de detritos, está pendurado um aviso escrito à mão: "Nós precisamos de ajuda!". Suprimentos estão chegando em grande quantidade a Tacloban três dias depois do tufão Haiyan, uma das tempestades mais poderosas registradas até hoje, que transformou a vibrante cidade portuária de 220 mil habitantes em terra arrasada repleta de cadáveres. Mas, devido a grande demanda as providencias não estão chegando aos mais necessitados.

Família se abriga em telhado de casa destruída Efe

O prefeito de Tacloban, Tecson Juan Lim, diz que a cifra de mortos somente na cidade "pode ultrapassar 10.000".

Pelo menos uma dezena de aviões militares de carga dos Estados Unidos e das Filipinas chegaram nesta segunda-feira, tendo a Força Aérea Filipina informado que transportou desde sábado 66 toneladas de suprimentos.

"As pessoas estão perambulando pela cidade, procurando comida e água", disse Christopher Pedrosa, um funcionário da área assistencial do governo.

Caminhões que partem do aeroporto levando ajuda estão tendo dificuldades para entrar na cidade por causa da avalanche de pessoas e veículos que partem. Em motocicletas, caminhões ou a pé, a população obstrui a estrada de ligação com o aeroporto, com lenços amarrados ao rosto para enfrentar a poeira e o mau cheiro dos corpos.

Centenas já partiram em aviões cargueiros para a capital, Manila, ou a segunda maior cidade, Cebu, e muitos outros dormem de modo precário no aeroporto, na esperança de conseguir entrar num voo nos próximos dias.

Jornalistas da Reuters viajaram em um caminhão do governo que levou cinco horas para recolher no aeroporto 600 sacos de arroz, comida enlatada e leite, e levar tudo até um ponto de distribuição na sede da prefeitura. Milhares de sacos foram deixados no aeroporto porque o caminhão não era suficientemente grande, disseram autoridades.

Pedrosa, o funcionário do governo, afirmou que preocupações com a segurança impediram que os suprimentos fossem entregues depois do anoitecer.

"Poderia desencadear um corre-corre", disse.

O caminhão com a ajuda estava sendo protegido por soldados portando fuzis. "É arriscado", disse Jewel Ray Marcia, um tenente do Exército filipino que liderava a unidade.

"As pessoas estão furiosas. Elas estão ficando fora de si".

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