Papa está na mira da máfia italiana, afirma promotor

Reformas na Igreja Católica propostas por Francisco deixam os criminosos ‘nervosos’

Por O Dia

Itália - O Papa Francisco está sob risco de ser atacado pela máfia italiana organizada ‘Ndrangheta, afirmou ao jornal ‘The Washington Post’ um promotor especialista em crime organizado, que já foi alvo de mafiosos. Nicola Gratteri, de 55 anos, que é promotor na região da Calábria, onde a ‘Ndrangheta atua com mais frequência, revelou que os esforços do Papa em reformar a Igreja Católica estão deixando a máfia “muito nervosa”.

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A organização ‘Ndrangheta, segundo Gratteri, é considerada a mais perigosa e unida da Itália, e também a mais difícil para os investigadores se infiltrarem. “Eles são perigosos e vale a pena refletir. Se os ‘chefões’ puderem achar um jeito de parar o Papa, eles vão considerar seriamente”, afirmou o promotor.

Religiosos também colaboram com a máfia, acusou Gratteri. “Aqueles que até agora lucraram com a influência e a riqueza da igreja estão ficando nervosos. Por muitos anos, a máfia lavou dinheiro e fez investimentos com a cumplicidade da igreja. Mas agora o Papa está desmantelando os centros de poder econômico no Vaticano, e isso é perigoso.”

Gratteri — que desde a década de 80 investiga o crime organizado e, por isso, vive sob proteção policial — declarou ainda que no sul da Itália os mafiosos têm “fortes relações” com líderes das igrejas locais. Isto, segundo o especialista, ajuda a dar ‘legitimidade’ aos criminosos: a maior parte dos mafiosos italianos, inclusive, são católicos praticantes.

“Um atirador da ‘Ndrangheta vai rezar e beijar seu rosário antes de atirar em alguém”, contou o promotor, que recentemente foi nomeado pelo premiê Enrico Letta para liderar um comitê especial destinado a reduzir a influência do crime organizado na Itália.

Contra a corrupção

Francisco já condenou o crime organizado, em maio, quando chegou a citar nominalmente as quatro principais máfias do país — incluindo a 'Ndrangheta. No início da semana passada, o Pontífice fez um discurso contra a corrupção numa homilia. Ele citou uma passagem da Bíblia que diz que alguns pecadores merecem ser “amarrados a uma pedra e atirados ao mar”, em referência à corrupção. Ele criticou cristãos que levam vida dupla, ao darem dinheiro à Igreja enquanto roubam do Estado.

Nesta sexta, Francisco cancelou audiência que seria realizada no Vaticano, devido a um resfriado. Esta é a primeira vez que a saúde do pontífice afeta seu trabalho. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que “não há razão para preocupação”.

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