Por joyce.caetano
Roma - O Senado da Itália expulsou Silvio Berlusconi nesta quarta-feira devido à sua condenação por fraude fiscal, provocando uma reação desafiadora do líder veterano de centro-direita que prometeu continuar liderando seu partido e lutando fora do Parlamento.

A votação, depois de meses de disputas políticas, abre uma nova fase de incerteza política na Itália, com o bilionário da mídia de 77 anos se preparando para usar todos os seus vastos recursos para atacar o governo de coalizão do primeiro-ministro Enrico Letta, de centro-esquerda.

Ex-primeiro-ministro Berlusconi durante discurso no centro de Roma nesta quarta-feiraReuters

"Estamos aqui em um dia amargo, um dia de luto para a democracia", disse Berlusconi a vários milhares de seguidores de seu partido Forza Italia em frente à sua residência, no centro de Roma, a alguns metros do prédio do Senado.

Ex-primeiro-ministro Berlusconi, que dominou a política italiana por duas décadas, retirou o seu partido da coalizão de Letta após sete meses no governo, acusando adversários da esquerda de montar um "golpe de Estado" para eliminá-lo.
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Sem imunidade parlamentar, ele fica em uma posição mais vulnerável em uma série de outros casos em que é acusado de crimes como corrupção política e de pagar para ter sexo com uma menor de idade.
No entanto, ele já não tem influência suficiente no Parlamento para derrubar o governo, que venceu facilmente um voto de confiança sobre o orçamento de 2014 na noite de terça-feira, com o apoio de cerca de 30 dissidentes que deixaram a Forza Italia neste mês.
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Letta declarou nesta quarta-feira que seu governo estava agora "mais forte e mais coeso" depois de vencer a votação do orçamento na véspera e disse que irá avançar com o seu programa de reformas.
O Senado declarou Berlusconi inelegível para o Parlamento depois de o ex-premiê ter sido condenado por planejar um sistema complexo e ilegal para reduzir os impostos pagos por seu império de televisão Mediaset.
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Sob uma lei aprovada com o apoio de Berlusconi no ano passado, os políticos condenados por crimes graves não são elegíveis para o Parlamento, mas a expulsão tem de ser confirmada por uma votação no Senado.
O tribunal condenou Berlusconi a quatro anos de prisão, uma pena comutada para um ano que deve ser cumprida com serviços à comunidade. Ele também foi proibido de ocupar cargos públicos por dois anos, impedindo qualquer retorno imediato ao governo.