Por bferreira
Rio - Em 2014, o Brasil deverá registrar quase 580 mil novos casos de câncer. O índice é 11% maior do que o mesmo cálculo feito para o ano de 2012. Os cânceres mais incidentes serão os de pele não-melanoma (não grave), próstata, mama, cólon e reto, pulmão e estômago. Os dados são de estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), divulgada ontem.
A boa notícia, segundo o coordenador de Prevenção e Vigilância do Inca, Cláudio Noronha, é a redução dos tumores de pulmão, entre homens, e de colo de útero, entre as mulheres. Para ele, a queda é fruto das políticas antitabaco e da ampliação do exame preventivo, que detecta lesões no útero que podem levar à doença. O câncer de pulmão é o que mais fez vítimas fatais no Brasil em 2011: foram registrados 22.426 óbitos. Cerca de 90% dos casos estão associados ao fumo.
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“No caso das mulheres, a taxa de câncer de cólon e retal aumentou e superou o de útero, provavelmente por causa do envelhecimento da população”, explica, acrescentando que o aumento no total de casos é também fruto do fato de a população estar ficando idosa. “Aumento da população idosa e melhoria na coleta de informações”, completa.
De acordo com a publicação “Estimativa 2014 - Incidência de Câncer no Brasil” publicada a cada dois anos, serão 394.450 novos casos, se retirados os de câncer de pele não-melanoma, de tratamento simples. No país, além de próstata e mama, com 69 mil e 57 mil novos casos, respectivamente, os mais recorrentes são cólon e reto (33 mil); pulmão (27 mil) e estômago (20 mil).
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“A estimativa só reforça que o câncer tem de ser prioridade em saúde pública: atualmente, provoca quatro vezes mais mortes que os acidentes de trânsito”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Estilo de vida: grande fator de risco
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Apenas 10% dos casos de câncer de mama têm origem hereditária. O restante está relacionado a estilo de vida, como sedentarismo, uso abusivo de hormônios na menopausa e obesidade, segundo a Maira Caleffi, presidente da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama).
Ela defende a criação de um programa nacional de rastreamento mamográfico. “Deveria haver uma busca ativa das mulheres acima de 40 anos para fazer o exame. Hoje, ele é feito de acordo com a vontade delas”.
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Próstata: mais consciência e diagnósticos
O aumento na incidência do câncer de próstata pode estar relacionado à maior consciência em recorrer ao médico para exames de rotina, o que faz subir o número de diagnósticos, segundo Henrique Rodrigues, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia. O médico alerta que o teste deve ser feito, anualmente, a partir dos 50 anos (45 anos para homens com casos de câncer de próstata na família). “Quando é diagnosticado na fase inicial, o câncer de próstata tem índice de cura de 90%”, disse.
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