Por karilayn.areias

Roma- Os juízes de Milão, na Itália, consideram que Silvio Berlusconi pagou as meninas que foram chamadas como testemunhas para que mudassem suas versões dos fatos, segundo é possível ler nas motivações da sentença publicada nesta sexta-feira no processo paralelo. Nesse processo, Berlusconi foi condenado a penas de cinco e sete anos de prisão para três pessoas do entorno do ex-primeiro-ministro.

Os magistrados da quinta seção do Tribunal penal de Milão anunciam, além disso, que perante o que consideram um delito de "manipulação das provas" e de "corrupção de atos judiciais", foi enviado o texto à promotoria para que considere a possibilidade de abrir uma investigação contra Berlusconi. Com esta sentença, foram condenados a sete anos de prisão a representante de artistas Lele Mora e o ex-diretor Emilio Fede por delitos de indução à prostituição.

Berlusconi é acusado de subornar testemunhas do Caso RubyReuters

Enquanto isso, a ex-conselheira da região da Lombardia Nicole Minetti, que foi dentista de Berlusconi, recebeu uma pena de 5 anos de prisão e outros tantos de inabilitação para cargo público. Nas mais de 300 páginas da sentença, os juízes escrevem que em 15 de janeiro de 2011, Berlusconi e seus advogados convocaram as jovens para ir à residência de Arcore, em Milão, para uma festa do ex-mandatário e que haviam sido chamadas para testemunhar.

Segundo os magistrados, as testemunhas não quiseram prejudicar Berlusconi nessa reunião. Após esta reunião, acrescentam os juízes, as testemunhas começaram a receber quantias de 2.500 euros por mês por parte de Berlusconi. Sobre este dinheiro, o ex-presidente do Governo sempre afirmou que se tratava de um "ressarcimento" pelo dano moral que tinham sofrido com a publicação de seus nomes na imprensa e durante os processos.

A sentença ressalta que todas as jovens "declaravam as mesmas coisas durante os interrogatórios, utilizavam uma linguagem que não correspondia a seu nível cultural" e que em algumas ocasiões, "não souberam nem explicar o significado de alguns das palavras que utilizavam". O documento explica também como Mora, Fede e Minetti induziram a jovem marroquina Karima el Marough, conhecida como Ruby, a se prostituir desde setembro de 2009, quando tinha 16 anos.

Além disso, o documento indica que Mora e Fede supostamente recrutavam as jovens que participavam das festas após avaliar "pessoalmente sobre suas características físicas", enquanto Minetti se encarregava da logística dos encontros. No processo principal sobre o caso Ruby, Berlusconi foi condenado a sete anos de prisão e à inabilitação por vida do exercício de um cargo público pelos delitos de abuso de poder e incitação à prostituição de menores.

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