Por thiago.antunes
Rio - As mulheres deveriam dar mais atenção ao coração. Não, não estamos falando das emoções, mas da saúde cardíaca. Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre elas — 40% do total —, superando o câncer de mama. E o pior: poucas conhecem todos os sintomas e apenas 6% recorrem ao cardiologista quando têm problemas de saúde, segundo pesquisa com 5 mil mulheres brasileiras.
Foram avaliados a presença de fatores de risco entre as mulheres e o conhecimento delas sobre a saúde do coração. Cerca de 40% não consideram colesterol alto como arriscado, e 51% pensam o mesmo sobre o tabaco. Em relação à menopausa, o fenômeno reduz hormônios que protegem o coração, mas só 3% das mulheres afirmam que a fase aumenta as chances de doenças cardíacas. 

“Derrame e infarto são os principais problemas entre as mulheres e muitas têm a ideia errada de que o câncer de mama é o mais frequente”, diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, um dos escritores do livro ‘Coração de Mulher’ e revisor do estudo.

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Cigarro e pílula: venenos

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Segundo ele, o risco aumenta para aquelas que fumam e usam pílula anticoncepcional. Os dois produtos aumentam a coagulação sanguínea e o risco de trombose, que pode levar ao Acidente Vascular Cerebral. Quando o assunto são os sinais de que algo não vai bem com o coração, apenas 30% das entrevistadas reconheceram sintomas que são típicos na mulher: visão turva, dor nas costas e na boca do estômago.
Uma das explicações, diz Raul, é o fato de a mulher sofrer de problema cardíaco cerca de dez anos após o homem, depois dos 60 anos. “Em idosos, os sintomas não são tão típicos”, aponta Além disso, a pesquisa mostrou que 71% têm familiares que sofreram problemas cardíacos precoces, o que pode aumentar em 50% o risco de doenças.
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Os dados fazem parte de levantamento realizado pelas revistas Saúde e Claudia, da Editora Abril, e da Nestlé. Foram entrevistadas 5.318 mulheres, de 20 a 60 anos, entre junho e julho de 2013. O cardiologista alerta que questões emocionais, como depressão, aliada a fatores de risco, como colesterol alto, diabetes, tabagismo e hipertensão, aumentam as chances de doenças. “A pessoa deprimida cuida menos de si e a depressão está associada a alterações físicas, como maior risco de coágulos no sangue”, explica.
Ano que vem, a Sociedade Brasileira de Cardiologia irá ‘importar’ a campanha norte-americana ‘Go Red for Women’, em que elas se vestem de vermelho para alertar outras mulheres sobre esse problema. Orlando Otavio de Medeiros, presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade, reconhece aumento dos problemas cardíacos entre elas.
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“A mulher está acumulando a parte doméstica com a profissional e adotando hábitos não saudáveis, como má alimentação e tabagismo, antes mais frequentes entre homens.”