Por bianca.lobianco
Publicado 06/12/2013 16:15 | Atualizado 06/12/2013 17:57

África do Sul -  Centenas de pessoas se despediram de Nelson Mandela de forma festiva dançando no gueto africano de Soweto, em Johanesburgo, onde o ex-presidente sul-africano vivia. A rua Vilakazi, onde também o arcebispo Desmond Tutu tem uma casa, é conhecida por ser a única do mundo onde viveram dois Prêmios Nobel.

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Nesta sexta-feira, no entanto, os frequentes turistas se somaram a centenas de jornalistas e simpatizantes do partido de Mandela, o Congresso Nacional Africano (CNA). Membros das juventudes do partido dançaram na rua durante toda a manhã, cantando também canções de luta contra o "apartheid" - regime de segregação racial implantado na África do Sul que obrigava os negros a viverem separados dos brancos e os privavam de vários direitos políticos, sociais, econômicos e culturais.

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Várias pessoas dançam em frente a casa de Nelson Mandela como forma de despedidaReuters

Preocupações com possíveis segregações

Enquanto uns prestavam homenagens ao líder, outros demonstravam preocupações de que a morte do herói antiapartheid possa deixar o país vulnerável novamente a tensões raciais e sociais. Nelson Mandela se tornou um símbolo mundial da reconciliação e da coexistência pacífica e sem a presença do ex-preso político, o receio dos possíveis problemas raciais voltam à tona.

"Não vai ser bom. Eu acho que vai se tornar um país mais racista", disse Sharon Qubeka, 28 anos, uma secretária da comunidade de Tembisa, que se dirigia ao trabalho em Johanesburgo.

"Mandela era o único que mantinha as coisas unidas", disse.

Sul-africanos prestam homenagens a Nelson MandelaReuters

Uma avalanche de tributos espalhou-se pelo mundo em homenagem a Mandela, que estava doente há quase um ano, vítima de uma enfermidade pulmonar recorrente, com a qual ele conviveu desde os tempos em que esteve em prisões, como a notória colônia penal de Robben Island.

Para a África do Sul, no entanto, a perda de seu líder mais amado ocorre no momento em que a nação, depois de ganhar reconhecimento global com o fim do apartheid, vive crescentes conflitos trabalhistas, protestos contra serviços precários, pobreza, criminalidade, desemprego e escândalos de corrupção que atingem o governo de Zuma.

Com bandeiras a meio-mastro, o país entrou no seu período de luto pela morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, já em meio aos preparativos para o funeral com honras de Estado anunciado para o dia 15 de dezembro. 

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