Por helio.almeida
Publicado 10/12/2013 11:08 | Atualizado 10/12/2013 11:21

Johanesburgo - Unidos em um tributo a um símbolo global de reconciliação, milhares de sul-africanos e dezenas de chefes de Estado e outras autoridades se reuniram sob a chuva nesta terça-feira para honrar Nelson Mandela em um grande evento em memória do primeiro presidente negro da África do Sul em Johanesburgo. Mandela morreu no dia 5 de dezembro aos 95 anos.

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Milhares de sul-africanos comparecem a cerimônia em homenagem a Nelson MandelaReuters

Multidões convergiram para o Estádio FNB (Soccer City) em Soweto, subúrbio que foi um reduto de apoio à luta contra o apartheid que Mandela incorporou enquanto era um prisioneiro do regime de dominação branca durante 27 anos e então durante um frágil transição para eleições multirraciais que o tornaram presidente em 1994.

A chuva, entretanto, afastou muitos da cerimônia. Pouco antes de seu início, o estádio com capacidade para 95 mil espectadores estava 50% cheio. Prevista para as 7 horas locais (11 horas em Brasília), a cerimônia começou com uma hora de atraso com a execução do hino nacional.

A presidente Dilma Rousseff participará do evento acompanhada pelos ex-presidentes brasileiros José Sarney (1985-1990), Fernando Collor de Mello (1990-1992), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

Dilma será uma das oradoras da cerimônia, assim como o presidente dos EUA, Barack Obama; o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon; o vice-presidente da China, Li Yuanchao; e do presidente de Cuba, Raúl Castro. Homenagens também serão feitas pelos presidentes da Namíbia, Índia e pelos netos de Mandela.

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O principal discurso será pronunciado pelo presidente aul-africano, Jacob Zuma, que foi vaiado duas vezes pelos presentes.

A viúva de Mandela, Graça Machel, estava no estádio, assim como a atriz Charlize Theron, a modelo Naomi Campbell e o cantor Bono. O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, que sucedeu a Mandela, recebeu uma ovação ao se levantar. O presidente francês, François Hollande, e seu antecessor e rival político, Nicolas Sarkozy, chegaram juntos.

Esta terça-feira marca o 20º aniversário do dia em que Mandela e o último presidente branco da África do Sul, F.W. de Klerk, receberam o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para trazer paz ao país. A data também coincide com o Dia dos Direitos Humanos da ONU.

Na época, Mandela disse em seu discurso de aceitação: "Vivemos com a esperança de que, enquanto ela se debate para se refazer, a África do Sul será como um microcosmo do novo mundo que deseja nascer."

Desde a morte de Mandela, Johanesburgo tem visto um clima nublado e chuvoso incomum para a época - um sinal, segundo as tradições africanas, da passagem de uma pessoa querida que está sendo recebida na vida após a morte por seus antepassados.

"Na nossa cultura, a chuva é uma bênção", disse Harry Tshabalala, um motorista do Ministério da Justiça. "Apenas pessoas muito grandes são homenageadas com ela. A chuva é vida. Esse é um clima perfeito para nós nessa ocasião."

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