Por bferreira

Rio - Na hora de largar o vício, ex-fumantes brasileiros escolhem técnicas pouco convencionais. Curandeiros, familiares e amigos foram alguns dos ‘tratamentos’ escolhidos, segundo pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgada ontem.

De acordo com o estudo, 62,5% recorreram a um membro da família e 25,7% a curandeiro ou pastor. Além disso, 16,6% optaram por médicos e 12,3% por amigos. Apenas 4,9% procuraram um programa de tratamento de tabagismo. Já entre os fumantes que tentaram abandonar o vício, 51,8% escolheram a ajuda familiares; 41,3% de amigos; 35% de médicos. O índice de quem procurou tratamento especializado foi maior (17%).

“Apesar de 90% terem dito que gostariam (de parar de fumar), só 7% realmente têm planos para parar. Imaginamos que o restante são pessoas que têm dependência mais severa e não planejem”, disse Clarice Madruga, uma das responsáveis pelo estudo

Os dados integram o segundo ‘Levantamento Nacional de Álcool e Drogas’, feito pela Unifesp. Foram entrevistadas 4.607 pessoas acima de 14 anos de todo o país, em 2012. A primeira versão da pesquisa foi feita em 2006.

Nestes seis anos, a taxa de fumantes caiu 20% no país. Em 2012, fatia de 15,6% da população brasileira declarava usar o tabaco. Em 2006, foram 19,3%. Apesar da queda, o número de cigarros consumidos por dia subiu de 12,9 para 14,1 entre 2006 e 2012.

Outro dado preocupa: o índice de quem fuma o primeiro cigarro até cinco minutos após acordar passou de 17,9% para 25,3%. O Brasil tem 20 milhões de fumantes e 70 milhões de fumantes passivos.

Jovens mais conscientes

Os adolescentes estão mais conscientes sobre os riscos do fumo. Entre as pessoas de 14 a 18 anos, a redução de tabagistas foi de 45%, entre 2006 e 2012. Em 2006, 6,2% dos jovens eram fumantes e, em 2012, esse índice caiu para 3,4%. A idade média de experimentação de cigarros foi de 16 anos, em 2012, índice semelhante a 2006. Mais da metade (62%) disseram não encontrar problema para comprar cigarros. Quase 40% dos fumantes de todas as idades têm pelo menos um dos pais fumante. Entre os que não fumam, a taxa é de 26%.

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