Por joyce.caetano

Johanesburgo - O enterro de Nelson Mandela no domingo será uma cerimônia elaborada, que combinará os procedimentos de um funeral de Estado, com toda a pompa militar, e os tradicionais rituais do seu clã Xhosa para assegurar uma transição tranquila do líder sul-africano para o mundo dos espíritos.

Muitos sul-africanos irão reverenciar Mandela, líder que se tornou símbolo global de paz e reconciliação, ainda mais após a sua morte, uma vez que ancestrais são tidos como protetores dos vivos.

Cerca de 46 por cento da população praticam religiões africanas tradicionais, de acordo com um levantamento de 2010, feito pelo centro de pesquisa Pew, sediado em Washington, nos Estados Unidos.

Funeral de Mandela combinará pompa militar e tradições africanasReuters

Mandela, do povo Abathembu e primeiro presidente negro da África do Sul, morreu há uma semana, aos 95 anos. Milhares foram ver o corpo do líder, velado em Pretória.

Ele será enterrado em Qunu, terra dos seus ancestrais, 700 quilômetros ao sul de Johanesburgo, de acordo com rituais tradicionais. Os Abathembu acreditam que, sem esses rituais, o morto volta na forma de espírito para exigir que os procedimentos sejam cumpridos.

"Como africanos, temos ritos de passagem, sejam eles no nascimento, no casamento ou no funeral. Mandela será enviado ao mundo espiritual para que ele seja acolhido pelos ancestrais. E também para que ele não fique bravo", disse Nokuzola Mndende, especialista em religiões africanas.

Um homem que para muitos incorporou o valor cristão do perdão, Mandela foi criado na tradição Xhosa e frequentou escola metodista.

Em sua autobiografia, Mandela se expressou de maneira favorável aos rituais Xhosa, que eram seguidos pelo seu pai. A mãe dele se converteu à religião metodista.

Para os Abathembu, os rituais de acompanhamento do espírito de Mandela incluem matar um boi nas primeiras horas do sábado, véspera do enterro. A carne do boi é então cozida sem especiarias em grandes panelas de ferro e em fogo aberto.

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