Por helio.almeida
Canadá - Um painel de investigação divulgou nesta quinta-feira a avaliação de que foi um homicídio e não um suicídio a morte em 2007 de Ashley Smith, uma adolescente que se enforcou enquanto estava presa e era observada por funcionários da penitenciária.

A morte de Smith se tornou manchete da imprensa internacional quando durante a investigação de sua morte, a justiça autorizou a publicação de vídeos que mostravam o brutal tratamento que a jovem de 19 anos recebeu durante sua detenção.

Advogado da família disse que diretores não deixaram ninguém entrar na cela enquanto Ashley se enforcavaReprodução Internet

Smith, quem foi presa pela primeira vez em 2003 por lançar maçãs a um carteiro, sofria de problemas mentais e para chamar a atenção dos funcionários da prisão se machucava e tentou se suicidar mais de uma vez.

No dia de sua morte, em 19 de outubro de 2007, Smith colocou uma corda em seu pescoço enquanto era observada por vários funcionários que assistiram passivamente ela se enforcar.
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Durante a investigação da morte de Smith se soube que os funcionários receberam ordens de seus superiores de não atuar enquanto a jovem continuasse respirando.
O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, declarou em 2012 que as ações do Serviço de Instituições Penitenciárias foram "completamente inaceitáveis", mas ao mesmo tempo seu ministro da Segurança Pública, Vic Toews, acusou os que solicitaram a investigação de sua morte de fazer o papel de criminosos.
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Hoje um painel legista composto por cinco juristas opinou que a morte de Smith foi um homicídio, definido como a morte de uma pessoa pela ação ou omissão de outra, e não um suicídio.
O painel também realizou 104 recomendações sobre como melhorar o tratamento que os presos com doenças mentais recebem nas prisões canadenses.
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O veredicto do painel também abre a porta para que se inicie uma investigação criminal sobre as ações dos responsáveis da prisão na qual morreu Smith.
O advogado da família de Smith, Julian Falconer, disse após o resultado que "os que deram a ordem de não entrar em sua cela, o diretor da prisão, o subdiretor e seus superiores, têm que ser realmente investigados".
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Um relatório divulgado este ano mostrou que desde 2007 os incidentes de autoflagelo nas prisões canadenses triplicaram.