Brasileiro desiste de apartamento de US$ 1,5 mi após Uruguai legalizar maconha

'Achei meio perigoso', diz ex-deputado federal Arnold Fioravante, que pretendia dar o imóvel de presente aos netos

Por O Dia

Uruguai - Um ex-deputado brasileiro desistiu de comprar um apartamento de U$ 1,5 milhão em Punta del Este, balneário de luxo localizado no Uruguai, após a legalização da maconha no país. Arnold Fioravante, de 83 anos, cancelou o negócio depois que o governo do presidente José Pepe Mujica sancionou lei que pôs na legalidade produção e venda da erva.

Ex-deputado federal Arnold Fioravante desiste de apartamento após Uruguai legalizar maconhaDivulgação


Frequentador da cidade uruguaia famosa por seus cassinos e praias, Fioravante contou ao iG que queria comprar o imóvel para presentear os netos. “Era um apartamento gostoso e pedi a uma imobiliária para mandar o preço. Nesse meio tempo li qualquer coisa sobre a nova legislação uruguaia. O apartamento não é pra mim, mas para meus netos. Achei meio perigoso”, conta.

Na mensagem que enviou ao corretor desfazendo o negócio, o brasileiro disse que a maconha “é a porta para outras experiências com substâncias tóxicas” e expressou preocupação com as consequências da nova legislação. "Como no Brasil não temos educadores totalmente preparados para orientar os jovens sobre como lidar com as drogas, optei por não levar a minha família a um lugar onde esta experiência não é segura nem controlada ", escreveu.

Advogado, Fioravante foi deputado federal constituinte pelo extinto PDS (sucessor da Arena, partido que sustentou no Congresso a ditadura militar). Para ele, o debate sobre a legalização das drogas é caso encerrado. “Trabalhei com escola a vida inteira. Isso está sendo estimulado. Este assunto não deveria nem ser tocado. Você vai ver quantos moços vão para o Uruguai experimentar”, projeta. O ex-deputado participou também da fundação das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e das Faculdades Tancredo Neves.

Em Miami é diferente

A incursão no ramo imobiliário do exterior não foi a primeira de Fioravante. O advogado tem “há mais de 30 anos” um imóvel em Miami, nos Estados Unidos. É a cidade carimbada com o selo de miserável por um ranking da revista Forbes que usava como critério a vulnerabilidade ao tráfico de drogas, entre outros flagelos.

“Não dá para comparar os controles americanos com os argentinos, brasileiros. Tem país de primeiro mundo na América Latina? Não tem. Não dá para comparar. O Brasil poderá um dia talvez (controlar o consumo de maconha), mas é um país muito grande. Não controla.”

Fioravante brincou ao ser indagado sobre a recente autorização para o uso recreativo da maconha no estado norte-americano do Colorado. “Colorado... até o nome é meio espanhol, não é? Eu daria uma orientação para que meus netos escolhessem um estado mais americanizado”, receita.

“Só o termo recreativo é de uma imbecilidade tamanha. Por que ninguém fala de cachaça recreativa? Se você não tem controle hoje, que é proibido, como você vai ter controle quando é liberado?”.

Punta del Este%2C balneário no Uruguai%2C é conhecida por seus cassinos e praiasDivulgação


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