Vício em apostas leva britânico a perder R$ 3 milhões em três anos

Justyn Larcombe transferia dinheiro para conta de apostas antes que fosse usado para pagar dívidas ou contas de débito

Por O Dia

Inglaterra - Casos como o de Justyn Larcombe, que, aos 43 anos, com apenas um saco de roupas em seu nome, viu-se obrigado a morar com a mãe, estão ficando mais numerosos no Reino Unido.

O britânico Justyn Larcombe, de 44 anos, tinha tudo o que desejava: mulher, filhos, uma bela casa, carros, e viagens. Mas, em apenas três anos, o vício em apostas fez com que ele perdesse cerca de 750 mil libras (R$ 2,9 milhões), sua casa, seu emprego e a confiança de sua família.

Sua primeira aposta foi de 5 libras em um jogo de rúgbi a que assistia em casa, e, como ele lembra, "infelizmente ganhou".

Não demorou muito para Larcombe se tornar um apostador compulsivo, primeiramente em esportes e mais tarde em roletas na Internet. Um dia ele percebeu que não tinha dinheiro para as compras de supermercado e lutava para administrar empréstimos.

A cada início de ano, milhares de pessoas, como Justyn Larcombe, adotam resoluções para acabar com seus víciosReprodução / Vimeo


Em dias de pagamento, ligava para o banco para transferir dinheiro para sua conta de apostas, antes que fosse usado para pagar dívidas ou contas de débito automático. Ele lembra que a única maneira de encontrar alguma forma de alívio emocional era com uma nova aposta.

Justyn conta que atingiu o fundo do poço quando sua esposa encontrou seu extrato bancário. Ele devia cinco meses de aluguel e estava prestes a ser despejado. Ele vendeu presentes de casamento e anéis e gastou tudo quase que instantaneamente. "Tudo o que ainda tinha em meu nome, após 43 anos, era um saco de lixo com roupas", conta.

Ele resolveu dar a volta por cima depois que foi obrigado a voltar a morar com sua mãe. "Nunca mais serei capaz de apostar novamente, nem mesmo comprar um bilhete de loteria", diz Larcombe.

Número crescente

Larcombe ainda faz parte de uma minoria. A cada início de ano, milhares de pessoas adotam resoluções de acabar com seus vícios, como fumar ou beber, mas é raro ver um amigo ou parente anunciar que decidiu largar o vício em apostas ou jogatinas.

Mas, de acordo com o Serviço Nacional de Estatísticas do Reino Unido (ONS, na sigla em inglês), a quantidade de pessoas que praticam apostas no país está crescendo, e há temores de que o hábito esteja ficando fora de controle.

Segundo a ONS, uma família britânica gastou em média 166 libras (R$ 644) no ano passado em apostas, uma quantia relativamente alta quando se leva em conta a crise econômica.

Esse valor é 50% mais alto do que no ano anterior. É também 60% acima da média de gastos familiares semanais combinados com cinema, teatro e museus.

A grande maioria das apostas está dentro dos limites do que as pessoas podem se dar ao luxo de perder, e a emoção que se tem com o jogo é recompensa suficiente.

Cerca de dois terços dos adultos no Reino Unido farão pelo menos uma aposta ao longo do ano. Esse número inclui 68% dos homens e 61% das mulheres, segundo uma avaliação feita em 2012 pelo Health and Social Care Information Centre (HSCIC), um centro de informações no Reino Unido que fornece dados sociais e de saúde.

A Loteria Nacional é a mais popular forma de aposta no país, à frente das raspadinhas e apostas em corridas de cavalo, segundo levantamento feito pelo HSCIC.

Excluindo aqueles que jogaram apenas na loteria, 46% dos homens e 40% das mulheres participaram de apostas nos últimos 12 meses, sugeriu a pesquisa.


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