Por tamara.coimbra
Líbano - Quase nove anos depois que um caminhão-bomba matou o ex-premiê libanês, Rafik Hariri, e outras 22 pessoas, começou nesta quinta-feira o julgamento para quatro suspeitos do Hezbollah acusados de conspirar para lançar o assassinato sectário.
O julgamento foi aberto em meio a uma atual violência sectária no Líbano, onde um carro-bomba explodiu na manhã desta quinta perto da fronteira com a Síria, deixando ao menos três mortos e mais de 20 feridos, disseram fontes de segurança.
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O filho de Hariri, Saad — que, assim como seu pai, também é um ex-premiê — estava em Haia para comparecer aos procedimentos juntamente com os membros das famílias de outras das vítimas da explosão de 14 de fevereiro de 2005.

Mas os próprios suspeitos estavam ausentes, já que não foram presos. O grupo xiita libanês Hezbollah nega envolvimento no assassinato, e o líder do grupo, Xeque Hassan Nasrallah, denunciou a corte como uma conspiração de seus arqui-inimigos — EUA e Israel.

Segundo o juiz do caso, David Re, os promotores convocarão centenas de testemunhas em um julgamento que provavelmente durará meses.

Promotores convocarão centenas de testemunhas em um julgamento que provavelmente durará mesesEfe


Começando um pronunciamento de abertura que deve durar até sexta-feira, o promotor Norman Farrell disse à corte que "as pessoas do Líbano possuem o direito de ter esse julgamento, ouvir a audiência e buscar a verdade".
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Ele disse que o caso se baseia em evidências, incluindo grandes quantidades de dados de celulares supostamente usados pelos conspiradores para planejar e executar o ataque.
Farrell mostrou à corte fotos dos momentos posteriores ao ataque, incluindo uma cratera cheia de fumaça e escombros de quase 12 metros e a carcaça em chamas do caminhão. Ele disse aos juízes que os autores do ataque empacotaram "uma quantidade extraordinária de explosivos de alto grau" em um caminhão da Mitsubishi para matar Hariri.
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Entre os quatro suspeitos está Mustafah Badreddine, que se acredita ter sido o vice-comandante militar do grupo e também é suspeito de ter construído a bomba de uma explosão de 1983 contra um quartel-general de marines dos EUA que matou 241 americanos em Beirute.
Os outros suspeitos são Salim Ayyash, também conhecido como Abu Salim; Assad Sabra e Hussein Anaisi, que mudou seu nome para Hassan Issa. O quinto a ser indiciado é Hassan Habib Merhi, que o foi posteriormente aos outros quatro e não é oficialmente um suspeito no julgamento iniciado nesta quinta. Eles são acusados de terrorismo e de homicídio intencional.
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Há temores no Líbano de que o julgamento abrirá uma nova onda de violência sectária em um país onde a guerra civil da Síria se espalhou com frequência crescente nos últimos meses. As tensões entre sunitas e xiitas estão crescendo, e houve uma nova rodada de matança entre as facções xiitas e sunitas do país.
Cartaz com retrato de Rafik Hariri diz%3A 'Momento para a justiça'Reuters


Esses temores foram exemplificados na explosão desta terça na cidade predominantemente xiita de Hermel.
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Hariri, que também tinha cidadania saudita, era um dos mais influentes líderes sunitas do Líbano, com amplas conexões no mundo árabe e na comunidade internacional. O Hezbollah, xiita, é apoiado pelo Irã.
Logo após o assassinato, a suspeita caiu sobre a Síria, já que Hariri vinha buscando enfraquecer seu domínio sobre o Líbano. A Síria negou qualquer papel no ataque, mas o assassinato uniu a oposição a Damasco e levou a grandes protestos de rua que ajudaram a pôr fim a uma presença militar síria de 29 anos no pequeno país vizinho.
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O Líbano tem um histórico de assassinatos políticos pelos quais nunca ninguém foi condenado. Nos dias posteriores à sua morte, os partidários de Hariri pediram uma investigação internacional, e uma corte apoiada pela ONU foi aberta em 2009.