Por fernanda.magalhaes
Suíça - A ONU pediu nesta quinta-feira uma mobilização internacional, de caráter humanitário e militar, para estabilizar a República Centro-Africana (RCA), onde alertou que existem elementos para que ocorra um genocídio.
"Existem todos os elementos que vimos em lugares como Ruanda e Bósnia. Os elementos estão ali para um genocídio", afirmou em uma coletiva de imprensa o chefe de operações do Escritório de Ajuda Humanitária da ONU", John Ging.
Publicidade
Ging sustentou que "as atrocidades são cometidas em todas as partes", o que provocou o deslocamento forçado de 800 mil pessoas, das quais meio milhão está na capital do país, Bangui.
Ele expôs que a República Centro-Africana alcançou o maior nível de gravidade de uma crise humanitária a que só são aplicados a outros dois países no mundo: Síria e Filipinas. A Síria está há três anos imersa em uma guerra civil que deixou metade de sua população dependente da assistência humanitária externa, enquanto a passagem de um tufão em novembro pelas Filipinas danificou infraestruturas em zonas importantes do país e deixou milhões de pessoas afetadas.
Publicidade
Ging advertiu que a necessidade de fornecer gente para atender a crise na República Centro-Africana é urgente, pois dos US$ 247 milhões precisos para financiar a operação de ajuda no país, só se recebeu um 6%.
"É necessário com urgência água potável, alimentos e saneamento, que é um grande problema, além disso, atendimento médico básico", disse Ging. "Não há outra crise em nível mundial que tenha sido ignorada da maneira como ignoramos a da República Centro-Africana. Se não regularmos o problema hoje, será mais caro fazê-lo amanhã", comentou.
Publicidade
Tropas francesas e africanas tentam estabilizar há algumas semanas a situação nesse país, onde a crise política provocada por uma rebelião do grupo Séléka em março acabou, meses depois, em enfrentamentos de caráter religiosos entre muçulmanos e cristãos.