Liberado o aborto na França

Lei aprovada pela Assembleia Nacional dá a mulheres o direito de interromper a gravidez

Por tamyres.matos

França - A Assembleia Nacional da França aprovou na noite de terça-feira uma emenda à lei que estabelece a igualdade entre homens e mulheres que, na prática, libera o aborto. O texto aprovado suprime a necessidade de comprovação de desamparo, previsto na legislação anterior, para uma grávida ter direito a fazer aborto. Agora, basta a mulher “não desejar prosseguir com a gravidez”.

A emenda provocou muita discussão, mas teve apoio da maioria dos partidos. Os mais intransigentes contra a mudança foram os da ultradireitista Frente Nacional e alguns do conservador UMP e do centrista UDI.

Manifestantes foram às ruas de Washington pelo 40º ano seguido pedir o fim da legalização do aborto Reuters

Um dos maiores opositores à ampliação do direito ao aborto era o ex-primeiro-ministro François Fillon, um dos principais líderes da ala conservadora. “Ao optar por reescrever a lei de 1975 sobre a interrupção voluntária da gravidez, o governo francês comete uma falta moral e política”, disse Fillon.

Numa tentativa de impedir a votação, parlamentares de direita propuseram que, sem a definição de desamparo, o sistema público de saúde não deveria mais arcar com os custos do aborto. Mas a proposta foi rechaçada pela maioria, incluindo políticos conservadores.

A ministra francesa dos Direitos da Mulher, Najat Vallaud-Belkacem, defendeu a mudança dizendo que ela representa apenas uma adequação. Segundo ela, a noção de desamparo da mulher implica em dependência do homem, um conceito que, para ela, está obsoleto.

PAPA CONDENA ABORTO

O Papa Francisco usou nesta quarta sua conta no Twitter para, mais uma vez, condenador o aborto. Ele colocou no microblog mensagem de apoio aos milhares de manifestantes que participaram em Washington, nos Estados Unidos, da 40ª Marcha contra o Aborto. “Que Deus possa nos ajude a respeitar toda vida”, escreveu o Papa.

A marcha, que se repete a cada ano, visa a revogar a decisão da Suprema Corte americana que, em 1973, legalizou o aborto. A manifestação é organizada pela Igreja e por partidos conservadores.

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