Manifestantes ucranianos impedem avanço da polícia com barricadas e fogo

Alguns pedem desesperadamente a ajuda do Ocidente, inclusive militar, já que temem que as autoridades recorram em breve à força para acabar com protestos

Por tamara.coimbra

Ucrânia - Os opositores ucranianos impedem o avanço dos efetivos antidistúrbios durante a madrugada desta quinta-feira no centro de Kiev com uma imponente barricada de fogo que é alimentada com madeira, pneus e destroços dos ônibus carbonizados. "Não temos medo dos Berkut (destacamento antidistúrbios). Isto é uma revolução. Resistiremos até o fim, mas não somos fascistas como diz o governo. Queremos uma vida normal, com trabalho e filhos, e não uma ditadura", disse hoje à Agência Efe Vladimir, um operário da construção.

Vladimir, oriundo do leste da Ucrânia, é um dos manifestantes na linha de frente do protesto, que enfrentam as forças antidistúrbios com escudos e paus nas imediações do lendário estádio Valeri Lobanovski do Dínamo de Kiev. Os opositores, na maioria jovens, lançam - com a ajuda de "catapultas" - coquetéis molotov, paralelepípedos e pedras contra os agentes antidistúrbios que estão em formação do outro lado das barricadas e protegidos pela escuridão da noite.

Nem as informações sobre a morte de cinco manifestantes nos distúrbios, segundo a oposição, nem as baixas temperaturas que rondam os 10 graus negativos, assustam os manifestantes. Alguns pedem desesperadamente a ajuda do Ocidente, inclusive militar, já que temem que as autoridades recorram em breve à força para acabar com protestos após declarar estado de exceção.
A polícia tenta, em vão, apagar o fogo com a ajuda de um caminhão de água, mas os manifestantes não param de alimentar as chamas com todo tipo de objetos inflamáveis. "Não posso participar dos protestos, mas entendo os manifestantes. Não posso condená-los, porque sua causa é justa. Rezo por eles", disse à Efe Pavel, um sacerdote católico. Em sua opinião, a culpa da nova onda de violência é do governo, pois este aprovou às escondidas no Parlamento um pacote de leis que restringem a liberdade de expressão e reunião, o que foi condenado pelo Ocidente. "Os protestos foram uma festa durante dois meses até que o governo decidiu transformar o país em um Estado policial", disse.

Manifestante durante o protesto no centro de Kiev%2C na UcrâniaEfe


Enquanto isso, na retaguarda da batalha popular vários jovens estão reforçando as barricadas com sacos de neve tanto na área da rua Grushevski , como no Euromaidan, situado entre a avenida Kreschatik e a Praça da Independência. Depois de se reunir com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, os dirigentes opositores realizaram ontem à noite um comício na Praça da Independência para mais de 50 mil simpatizantes.

A oposição ucraniana criou um Parlamento Popular alternativo à Rada Suprema (Legislativo) e deu 24 horas de prazo ao governo para atender suas reivindicações, entre as quais figura a convocação de eleições antecipadas. Além disso, o líder do partido UDAR, Vitali Klitschko, encorajou os trabalhadores ucranianos a organizarem uma paralisação de advertência a partir do meio-dia da quinta-feira para obrigar o governo a fazer concessões.

"Se for preciso brigar, brigarei, se for preciso marchar sob as balas, pois marcharei sob as balas", declarou. Yanukovich notificou os opositores para uma nova reunião na quinta-feira, quando o primeiro-ministro Nikolai Azarov, cuja renúncia é exigida insistentemente pela oposição, retorna do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suiça. Enquanto isso, milhares de partidários do Partido das Regiões, governista, se concentraram nesta quinta-feira em frente à Embaixada dos EUA para protestar por sua decisão de revogar o visto de vários funcionários do alto escalão do governo ucraniano pela violenta repressão aos protestos.

O Ministério do Interior, que somente confirmou a morte de dois manifestantes, informou sobre a prisão de 70 pessoas durante os distúrbios que explodiram no domingo e são uma continuação dos dois meses de protestos pela decisão do governo ucraniano de suspender a assinatura de um Acordo de Associação com a União Europeia.

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