Por nara.boechat

Rio - Se para os pais representa segurança, o excesso de exames pode ter efeito oposto e prejudicar a saúde do bebê. Especialistas alertam que muitos exames de sangue ao nascer para investigar possíveis doenças levaria à necessidade de transfusão no recém-nascido. Médicos asseguram que o tradicional teste do pezinho é suficiente para detectar enfermidades do neném.

Exame de bilirrubina (para detectar doença hepática), de glicose, do grupo sanguíneo (ABO e RH), perfil lipídico e testes de hipotireoidismo e de coombs (para verificar doença autoimune). A lista faz parte dos cuidados extras oferecidos pelas maternidades particulares.

Excesso de exame de sangue ao nascer levaria à necessidade de transfusão no recém-nascidoDivulgação

Magda Carneiro Sampaio, presidenta do Conselho Diretor do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, lembra que bebês têm pouco sangue. Segundo ela, um recém-nascido, com três quilos mantém entre 280 ml e 300 ml de sangue.

“Uma criança com 300 ml de sangue no corpo tirar 20 ml de sangue todo dia, em três dias ela vai ter que repor sangue, fazer transfusão. É claro que o organismo repõe o que foi perdido, mas não repõe nesta mesma velocidade”, completa.

Ela lembra que o teste do pezinho é o único exame necessário que exige coleta de sangue em recém-nascidos. O teste, feito 48 horas após o parto com apenas algumas gotas de sangue, identifica uma série de doenças, como hipotireoidismo congênito, doenças falciformes e fibrose cística. “Fora o teste do pezinho, apenas um acompanhamento médico”, diz
A pediatra ressalta que a principal causa de indicação de transfusão para crianças que estão internadas — aquelas que fazem exames todos os dias — é por perda de sangue por coleta.

Maurizio Pellitteri, diretor da Perinatal da Barra, explica que crianças com hipoglicemia e icterícia (pele amarelada) necessitam de exames de sangue ao nascer, além de casos em que a bolsa rompe 24 horas antes do parto.

Ilson Enk, pediatra e membro do Conselho Científico do Departamento de Neonatalogia da Sociedade Brasileira de Pediatria, lembra que exames de tipagem sanguínea e o de coombs direto (que faz o diagnóstico de doenças auto-imunes) devem ser feitos apenas se a mãe for Rh negativo. Já o exame de glicose é indicado para filhos de mães diabéticas ou se o bebê é pequeno demais ou prematuro.

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