Por fernanda.magalhaes

Reino Unido - Uma campanha de conscientização sobre o câncer de pâncreas está provocando indignação após anúncios mostrarem pacientes reais preferindo ter tipos mais comuns da doença, como de mama e de testículo.

A campanha "inveja" foi criada pela fundação "Pancreatic Cancer Action" para destacar as baixas taxas de sobrevivência da doença.

O objetivo é alertar para os 3% que sobrevivem quando dignosticados com esse tipo de câncer, em comparação com 85% dos pacientes com câncer de mama e 97% dos homens com câncer de testículo.

No anúncio de TV, pacientes com câncer pancreático são vistos vistos dizendo: 'Eu gostaria de ter câncer de testículo' e 'Eu gostaria de ter câncer de mama', além de informações sobre os sintomas e as taxas de sobrevivência que aparecem na tela.

Mas os críticos classificaram a polêmica campanha como "horrivelmente insensível" e "repugnante".

No Twitter, muitos usuários criticam a campanha dizendo que a doença não é uma competição e que estatíscas de sobrevivência não fazem sentido para a pessoa que está para morrer.

" A morte é uma morte", escreveu um usuário. "você não pode usar o câncer como uma competição", escreve outro usuário no microblog.

Mas a fundadora da instituição, Ali Stunt - diagnosticada com câncer de pâncreas em 2007 aos 41 anos - defende a campanha.

"Quando eu fui diagnosticada, fiquei horrorizada ao saber a taxa de sobrevivência e realmente encontrei-me desejando ter outro tipo de câncer. Eu entendo que qualquer tipo de câncer é horrível, não menos câncer de mama com metástase (que se espalhou), e não desejo câncer pra ninguém. Mas há pacientes com câncer de pâncreas que preferem ter outro tipo com um melhor prognóstico como mama ou testículo",disse ao site do jornal britânico "Daily Mail".

"82% dos pacientes com câncer de pâncreas vão morrer dentro de um ano e a expectativa média de vida é de 4 a 6 meses", acrescenta.

A campanha polêmicaReprodução

Ela afirma que muitos pacientes sequer ouviram falar do câncer de pâncrea antes de serem diagnosticados com a doença, apesar dele ser o nono câncer mais comum no Reino Unido e a quinta causa mais comum de morte por câncer, matando 8.000 pessoas no país a cada ano.

Ela continua: "Ter consciência é fundamental para o diagnóstico precoce e isso é particularmente verdadeiro no caso do câncer de pâncreas. Apesar dos nossos melhores esforços e de outras organizações de câncer de pâncreas, por 40 anos pacientes com câncer pancreático no Reino Unido têm enfrentado o mesmo prognóstico sombrio."

Mas, em um comunicado, Chris Askew, diretor executivo da "Breakthrough Breast Cancer", disse: "Nós lutaremos fortemente contra qualquer instituição que sugira que um tipo de câncer é preferível a outro".

"Acreditamos que a fundação "Pancreatic Cancer Action" faz exatamente isso. Eu ainda tenho que encontrar uma mulher com câncer de mama que se considere de alguma forma sortuda de ter recebido esse diagnóstico", diz Askew.

"É absolutamente enganoso sugerir que o câncer de mama é uma forma mais desejável de câncer. Câncer não discrimina; 12.000 mulheres morrem a cada ano de câncer de mama no Reino Unido e mais de 8.000 pessoas morrem por ano de câncer no pâncreas, o que é realmente devastador.Mais de 160.000 pessoas perderam suas vidas ao câncer no Reino Unido em 2011, é preciso evitar uma competição no câncer "e trabalhar juntos para acabar com este fardo inaceitável", informa.

"É claro que reconheço o trabalho de todas as instituições dedicadas a parar o câncer, e espero que possamos colaborar para impedir as pessoas de adoecer e morrer de todos os todos os tipos da doença", finaliza ele.


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