Por tamara.coimbra

Estados Unidos - Uma comissão de direitos humanos da ONU denunciou o Vaticano nesta quarta-feira por adotar políticas que permitiram aos padres estuprar e molestar dezenas de milhares de crianças durante décadas, conclamando-o a abrir seus arquivos sobre os pedófilos e os religiosos que esconderam seus crimes. Em um relatório devastador, a comissão da ONU também criticou duramente a Santa Sé por suas atitudes em relação ao homossexualismo, à contracepção e ao aborto e disse que é necessário revisar essas políticas para assegurar os direitos das crianças e para que seu acesso à assistência à saúde seja garantido.

Sobre o abuso sexual, "a comissão está gravemente preocupada que a Santa Sé não reconheceu a extensão dos crimes cometidos, não adotou as medidas necessárias para lidar com os casos de abuso sexual infantil e para proteger as crianças e estabeleceu políticas e práticas que levaram à continuidade do abuso pelos perpetradores e por sua impunidade", disse o relatório.

O documento pede que a comissão de abuso sexual que o Papa Francisco anunciou em dezembro conduza uma investigação independente de todos os casos de abusos e da forma como a hierarquia católica respondeu com o passar do tempo, requisitando que a Santa Sé crie regras claras para a denúncia mandatória de abuso à polícia.

Logotipo das Nações Unidas é exibido na sede da ONU em Nova York Reuters


A comissão fez suas recomendações depois de submeter a Santa Sé a um interrogatório de um dia de duração no mês passado sobre sua implementação da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, o principal tratado internacional para garantir os direitos infantis. Durante essa sessão, especialistas independentes da comissão pressionaram a Santa Sé em relação à sua proteção das crianças, trabalhando a partir de relatórios preparados por grupos de vítimas e por organizações dos direitos humanos.

As recomendações da comissão não são obrigatórias e não há nenhuma mecanismo que force o cumprimento das medidas. Em vez disso, a ONU pediu que o Vaticano implemente as recomendações e entregue um relatório sobre a questão até 2017. O Vaticano teve um atraso de 14 anos em submeter seu relatório mais recente.

Enquanto a maior parte da atenção teve como ênfase o abuso sexual infantil, as recomendações da comissão se estenderam bem além, entrando em questões como discriminação das crianças e seus direitos a uma adequada assistência à saúde. Ao fazer recomendações específicas para que as políticas do Vaticano sobre aborto e contracepção sejam revistas, a comissão entrou e em profundos ensinamentos da Igreja sobre a vida.

Como resultado, essas recomendações provavelmente serão desconsideradas pelo Vaticano, que tem um histórico de confronto diplomático com a ONU sobre assistência à saúde reprodutiva e questões similares.

Vaticano promete proteger crianças

O Vaticano, em resposta a um severo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o abuso sexual contra crianças cometido por padres, disse nesta quarta-feira que a Igreja Católica Romana está comprometida em "defender e proteger os direitos das crianças".

Um comunicado afirma que o Vaticano vai submeter o relatório da ONU a "estudos e exames", mas também diz que a entidade mundial está interferindo em ensinamentos morais católicos, porque o documento critica as posições da Igreja sobre homossexualidade, contracepção e aborto.

Ainda nesta quarta-feira o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, disse que o Vaticano enfrenta os casos de abusos sexuais na Igreja com "exigência de transparência" e uma prova disso é que nos próximos "dias ou semanas" explicará o funcionamento da comissão criada para preveni-los.

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