Nova droga contra câncer de mama não deixa o cabelo cair

Produto revolucionário aumenta em 50% a sobrevida, atacando só as células doentes

Por O Dia

Rio - Menos sofrimento para as mulheres em tratamento contra o câncer de mama. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou para uso no Brasil um medicamento que não provoca a queda de cabelo, além de evitar outros efeitos colaterais. Mais ‘potente’ do que a quimioterapia tradicional, a droga, inédita no país, aumenta a sobrevida das pacientes em até 50%.

Segundo José Luiz Pedrini, vice-presidente da Região Sul da Sociedade Brasileira de Mastologia, o medicamento trastuzumabe entansina (T-DM1) ataca somente o tumor da mama, em vez de afetar todas as células do corpo, como fazem os tratamentos convencionais. Redução do vômito, enjoos e diarreia são outros benefícios, segundo Pedrini.

“O anticorpo conduz o quimioterápico até o interior da célula tumoral e libera o medicamento lá dentro. Essa é a droga mais impressionante que eu vi na vida”, disse, acrescentando que ela pode ser usada por tempo indeterminado, mesmo em casos de cânceres incuráveis. “O remédio mantém a doença sob controle”, comemora.

O especialista lembra que o medicamento é indicado para os casos de metástase, quando a doença já alcançou outros locais do corpo. Novos estudos vão verificar se o produto também é eficaz e seguro se utilizado em fases iniciais da doença. O T-DM1 combate apenas o tipo de câncer mamário HER2 positivo, que corresponde a 25% dos tumores. “No futuro, poderemos ter o mesmo de remédio para outros tipos de câncer”, diz.

A previsão é que o medicamento, desenvolvido por empresa americana em parceria com a Roche, esteja nas unidades de saúde em maio. Segundo Pedrini, cem brasileiras participaram da fase de testes. “Há pacientes que começaram a participar do estudo em 2011 e seguem vivas. Sem essa opção, elas sobreviveriam por cerca de seis meses porque não teriam outra alternativa”.

Rio tem mais alto índice de mortes

O Estado do Rio de Janeiro apresenta a maior mortalidade do país por câncer de mama. São 15,7 óbitos a cada 100 mil habitantes, conforme O DIA noticiou ontem. Por outro lado, o estado apresenta porcentagem de mamógrafos em uso acima da média nacional. No Rio, são 97% em funcionamento contra 80% no país. Os dados são da Sociedade Brasileira de Mastologia

Últimas de _legado_Mundo e Ciência