Papa tem encontro emocionante no Vaticano

Francisco recebe mulher que teve filho retirado de seus braços por freiras na década de 50

Por O Dia

Rio - A mulher que inspirou o filme ‘Philomena’, candidato ao Oscar, teve um emocionado encontro com o Papa Francisco, quarta-feira, no Vaticano. A obra conta o drama da irlandesa Philomena Lee, hoje com 80 anos, que, mãe solteira na década de 50, teve o filho retirado de seus braços por freiras católicas na Irlanda e entregue para um casal norte-americano. “É uma honra ter encontrado o Papa Francisco. Sempre tive uma profunda fé na Igreja e em sua vontade de reparar os erros cometidos no passado”, afirmou ela.

Philomena foi ao Vaticano com Steve Coogan, o ator britânico e co-produtor do filme, em que ela é representada pela atriz Judi Dench. Dirigido por Stephen Frears, ‘Philomena’ concorre a quatro categorias do Oscar, inclusive melhor atriz e melhor filme.

Hoje, Philomena Lee está à frente do projeto ‘Philomena Project’, que tenta ajudar outras mães irlandesas que passaram pelo drama a encontrar seus filhos, e luta para que o governo do seu país permita a consulta aos registros de crianças adotadas.

Na quarta-feira, a ONU divulgou relatório criticando duramente a falta de punição a religiosos que cometeram violência contra crianças. Além de abordar casos de pedofilia, também citou freiras irlandesas que submetiam mães solteiras a sistema de trabalho análogo à escravidão.

Uma delas foi Philomena que, em 1952, adolescente, engravidou. Passou a ser considerada, então, ‘indigna’ por sua própria família, católica conservadora. Seus parentes resolveram mandá-la para o convento de Roscrea, onde deu à luz um menino, Anthony. Aos quatro anos, o garoto foi separado de Philomena e entregue aos americanos.

ESPERANÇA

Apenas 50 anos depois, Philomena ganhou coragem de procurar o filho, com a ajuda de Martin Sixsmith, jornalista da BBC, interpretado no filme por Steve Coogan. “Espero e acredito que o Papa se unirá à minha luta para ajudar as milhares de mães e de filhos a colocar um fim em sua dolorosa história”, disse a mulher.

O diretor do filme, Stephen Frears, fez comentário brincalhão: “Espero que o Papa veja o filme. Ele é um cara legal”. Porta-voz do Vaticano, porém, parece não ter gostado. “O Papa não assiste filmes”, disse.

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