Confronto entre opositores e seguidores de Maduro deixa dois mortos na Venezuela

Em 2002, protestos massivos da oposição terminaram levando a um breve golpe de Estado que tirou do poder o falecido presidente Hugo Chávez por 36 horas

Por O Dia

Venezuela - Duas pessoas morreram na quarta-feira e dezenas ficaram feridas na Venezuela durante enfrentamentos entre opositores e defensores do governo do presidente Nicolás Maduro, que acusa seus rivais de querer tirá-lo do poder enquanto enfrenta reclamações que vão da elevada inflação à insegurança.

Os dois movimentos saíram às ruas da capital, Caracas, e de algumas cidades do interior, um para protestar contra o mandatário e outro para comemorar uma batalha independentista. Mas a temperatura subiu e os grupos rivais entraram em confronto, deixando vítimas e carros incendiados.

As autoridades da Venezuela confirmaram duas mortes. Uma das vítimas fatais foi um estudante baleado em confronto com grupos pró-governo. Um fotógrafo e um cinegrafista da Reuters viram o jovem cair ao chão.

Manifestantes protestam contra governo de Nicolás Maduro em CaracasReuters

"Claramente, isso é o resultado de um ataque traiçoeiro e covarde de corpos de segurança e de grupos armados", disse Maria Corina Machado, uma reconhecida líder da oposição. Mas a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz, garantiu que um integrante dos grupos também morreu baleado e detalhou que havia 23 feridos.

"Foi assassinado pelo fascismo", disse Diosdado Cabello, chefe da Assembleia Nacional e um dos homens mais fortes do governo, sobre o militante governista morto. A Venezuela está dividida quase ao meio entre os que defendem programas sociais do governo, que beneficiaram milhões de pessoas, e aqueles que querem uma mudança de curso, cansados da frágil economia e a insegurança.

Houve manifestações oposicionistas, coloridas e com grande número de participantes em Caracas e nas cidades mais populosas do país petrolífero, com queixas contra o elevado custo de vida, a escassez de produtos e a criminalidade, e pedindo a libertação de várias pessoas presas nos últimos dias.

Nas últimas semanas, grupos encabeçados pela ala mais radical da oposição, composta por Leopoldo López, a deputada María Corina Machado e o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, saíram às ruas para protestar contra o governo de Maduro, provocando enfrentamentos violentos com as forças de segurança.

Segundo manifestante morto é levado após tiros serem ouvidos durante um protesto anti-governo em CaracasReuters


Maduro, um ex-motorista de ônibus e sindicalista, afirmou que as manifestações pretendem destituí-lo do poder, apenas dez meses depois de ter assumido o cargo. "Querem derrubar o governo legítimo que eu comando. Não vão poder, mas vão causar danos à Venezuela", disse Maduro durante um discurso na noite de terça-feira.

"Retratem-se a tempo, e depois, se não se retratarem, não se declarem perseguidos políticos, porque eu vou aplicar a lei e a Constituição com severidade absoluta contra golpistas, desestabilizadores e setores violentos", acrescentou.

Mas os manifestantes, na maioria estudantes, responderam com firmeza. "Quanto mais repressão, os estudantes seguirão mais e mais para a rua", disse a dirigente estudantil Tamy Suárez, em Caracas.

Em 2002, protestos massivos da oposição terminaram levando a um breve golpe de Estado que tirou do poder o falecido presidente Hugo Chávez por 36 horas, mas o líder voltou respaldado por um grupo leal do Exército e graças a partidários que inundaram as ruas pedindo a sua permanência no cargo.

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