SuÃça - O porta-voz da delegação opositora sÃria, Louay Safi, afirmou nesta sexta-feira que as negociações de paz para a SÃria não podem avançar se a atual equipe negociadora seguir como interlocutora do regime.
"As negociações chegaram a um ponto morto que não podemos superar se a outra equipe não tentar uma solução polÃtica", disse Safi em entrevista coletiva após a reunião da delegação da oposição com o mediador, Lakhdar Brahimi.
Safi lembrou que na quarta-feira a equipe opositora apresentou um documento com 22 pontos com seu plano para uma transição polÃtica, proposta que "não obteve resposta".
O porta-voz sustentou, além disso, que vão fazer falta "muitos progressos" para que seja realizada uma terceira rodada de negociações de paz para a SÃria e admitiu que "por enquanto não foi conquistado nenhum resultado".
"Continuar desta maneira faz com que as negociações não avancem rumo a uma solução polÃtica ao conflito", afirmou.
Por isso, o porta-voz pediu à ONU e aos paÃses promotores do processo, EUA e Rússia, que façam tudo o que for possÃvel para influenciar o Governo sÃrio para que convoque um novo rodÃzio da equipe negociadora e vá para Genebra "disposto a se envolver em um debate polÃtico".
Sobre se a atual rodada terminará nesta sexta, o porta-voz indicou que "há uma pequena possibilidade que ocorra um breve encontro neste sábado", embora não tenha esclarecido se esse encontro contará com as duas delegações ou se elas falarão separadamente com Brahimi.
O porta-voz acusou o regime de utilizar a luta contra o terrorismo como argumento para desviar o processo de seu alvo principal, "que é a criação de um órgão de Governo transitório que ponha fim às hostilidades".
"Falar de violência, como quer o regime, implica também em falar de sua violência porque não somos nós os que estamos bombardeando e atacando cidades", afirmou Safi.
O porta-voz disse que, por enquanto, falaram dos temas que preocupam ambas delegações, mas que não foi abordada a criação de mecanismos que sirvam para aplicar os pontos do "Comunicado de Genebra", documento estipulado pela Rússia e Estados Unidos em junho de 2012 como base das negociações.
Entre as funções do órgão de Governo que a oposição reivindica, Safi lembrou que deverá ser imposto um cessar-fogo, liberar todos os detidos polÃticos, impor justiça e iniciar o caminho para eleições livres.
Por sua vez, o vice-ministro de Relações Exteriores da SÃria, Faisal Makdad, falou sobre a resposta que receberam da oposição nesta segunda rodada de negociações de paz.
"Não escutamos nada além de insultos e apoio ao terrorismo. Lamentamos profundamente que nesta rodada não tenha havido nenhum progresso", disse Makdad em entrevista coletiva.
O responsável sÃrio se queixou, além disso, que a delegação opositora chegou à cidade suÃça com "uma agenda diferente, que não é realista e que só tem um ponto, que tirou de forma seletiva do "Comunicado de Genebra", a criação de um Governo de transição".
Além disso, Makdad criticou os opositores porque "não reconheceram que há terrorismo na SÃria, nem que há carros-bomba, nem que o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a Frente al Nusra estejam ali".