Confronto entre manifestantes e polícia deixa quatro mortos na Tailândia

Grupos exigem que a primeira-ministra Yingluck Shinawatra renuncie ao cargo. Ela está sendo investigada por corrupção

Por O Dia

Tailândia - Centenas de homens da polícia de choque tentaram dispersar os manifestantes antigoverno de toda a capital da Tailândia nesta terça-feira, desencadeando confrontos que deixaram ao menos quatro mortos e 64 feridos. Vários tiros foram ouvidos próximo ao palácio do primeiro-ministro, onde a polícia de choque havia começado a remover os manifestantes e desmontar um palco improvisado, mas não ficou claro quem estava atirando.

De acordo com os serviços médicos de emergência Erawan, entre os mortos estão três manifestantes e um policial. O chefe do departamento de investigação especial, Tharit Pengdit, explicou durante coletiva que os protestantes haviam lançado granadas na polícia. Mais tarde, os policiais se retiraram.

Manifestantes antigovernamentais balançam bandeiras perto da sede do governo em BangkokEFE

Em outro golpe para o governo, a agência de estado anticorrupção acusou a primeira-ministra Yingluck Shinawatra na terça-feira por causa de um esquema de manipulação inadequada do subsídio do arroz, deixando-o mais caro. O caso a deixa sob risco de perder o cargo. O governo atrasou, há alguns meses, o pagamento dos agricultores de arroz, que se comprometeram a vender a safra por preços acima do mercado.

A comissão disse que Yingluck foi chamada para ouvir as acusações formalmente em 27 de fevereiro. Se o caso for levado para o Senado com possibilidade de um impeachment, ela será imediatamente suspensa de sua função até seu julgamento pelo Senado.

O governo de Yingluck tem tentado impedir a violência e manter os militares afastados. A Tailândia tem sido assolada pela instabilidade política desde 2006, quando o irmão de Yingluck, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra foi afastado por uma cúpula militar após ter sido acusado de corrupção e abuso de poder. Desde então, seus partidários e oponentes vêm tentando assumir o poder, muitas vezes violentamente.

A violência desta terça-feira explodiu após policiais se posicionarem em vários locais ao redor da cidade para deter protestantes que estavam acampados há semanas para pressionar a renúncia de Yingluck.

Policial ferido pela explosão de um artefato é atendido perto do Monumento a Democracia%2C em BangkokEFE

Os manifestantes reivindicam a formação de um conselho de pessoas não eleitas para implantar reformas, acabar com a corrupção e manter a família Shinawatra fora da política permanentemente.

Eles têm bloqueado o acesso aos escritórios do governo desde o ano passado e ocuparam intersecções importantes nos arredores de Bangcoc por cerca de um mês. Até agora, a polícia absteve-se de dispersá-los para evitar o desencadeamento da violência generalizada.

Mas na segunda-feira, o centro de comando de segurança especial do governo anunciou que recuperaria cinco locais de protesto ao redor da cidade para uso público, um movimento possível sob o estado de emergência declarado no país em janeiro. Milhares de policiais, incluindo esquadrões antimotim armados, foram implantados em toda a cidade nesta terça-feira, em uma operação do governo chamado "Paz para Bangkok".

Há uma semana, 144 manifestantes posicionados perto do Ministério de Energia na parte norte da cidade protestavam quando foram pacificamente detidos e conduzidos para interrogatório, disse Tharit. O ministro dos transportes, Chadchart Sittipunt, contou à Associated Press que os manifestantes sequestraram dois ônibus públicos da cidade e os usaram para bloquear um comício local no Ministério do Interior, próximo ao Grande Palácio.

As operações aconteceram um dia antes de Tribunal Civil se pronunciar sobre a instituição do decreto de emergência sugerida pelo governo, que permite às autoridades exercer amplos poderes em deter manifestantes e mantê-los sob custódia por 30 dias sem acusações.

Se o decreto for derrubado pelo tribunal, o governo será forçado a desmantelar o centro de comando de segurança especial que havia sido configurado para executar essas medidas de emergência. Desde seu início, em novembro, os protestos deixaram ao menos 14 mortos e centenas de feridos.


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