Fúria em protestos: mais de 20 mortos em três países

Pior caso é da Ucrânia, onde morreram ao menos sete policiais e 11 manifestantes

Por O Dia

Ucrânia - Pelo menos 23 pessoas foram mortas, ontem, em violentos protestos em três países. O episódio mais grave foi em Kiev, na Ucrânia, com 18 mortes: de sete policiais e onze manifestantes. Em Bangcoc, na Tailândia, as quatro vítimas fatais foram um policial e três civis. Já em Caracas, na Venezuela, um universitário foi atropelado e não resistiu.

Confrontos entre manifestantes e policiais na UcrâniaReuters

Nos confrontos em Kiev, cerca de duzentos manifestantes ficaram feridos, sendo trinta em estado grave — um com uma mão amputada e vários com traumatismos cranianos. O governo deu ultimato ao grupo para se retirar de acampamento na Praça da Independência, ocupada há três meses pelos contrários ao presidente Viktor Yanukovytch. No fim da noite de ontem, a polícia invadia o local e havia um grande incêndio. A União Europeia ameaçou o país com sanções, devido ao “banho de sangue”.

De manhã, opositores atiraram coquetéis molotov na sede do Partido das Regiões, do presidente Viktor Yanukovytch. Portas foram quebradas com machados. Ativistas ocuparam o local, mas foram expulsos ao meio-dia. O protesto continuou, com dezenas de milhares de pessoas, em área próxima ao Parlamento.

>>> FOTOGALERIA: Violência em protestos na Ucrânia

O objetivo era acompanhar a votação, pelos parlamentares, de projeto de reforma constitucional que reduz os poderes do presidente em benefício do Parlamento. Ala da oposição acreditava que Yanukovytch poderia nomear ontem novo premiê. “Vamos cercar o Parlamento e bloquear o local para impedir que os deputados nomeiem um primeiro-ministro ‘russo’”, disse Andrii Parubii, deputado de oposição.

Mas a marcha da multidão foi impedida por policiais. Manifestantes arrancaram paralelepípedos para jogar nos agentes, que responderam com bombas de gás e balas de borracha. Pelo menos 37 deles ficaram feridos.

A oposição acusa o governo de ceder a pressões da Rússia desde que Yanukovytch desistiu de assinar, em novembro, acordo de associação com a União Europeia. Em janeiro, confrontos deixaram quatro mortos e mais de 500 feridos. “O que acontece é resultado direto da política e apaziguamento dos políticos ocidentais e das estruturas europeias que, desde o início da crise, fecham os olhos para atos agressivos das forças radicais no país, incentivando a escalada e as provocações contra a autoridade legal”, disse em comunicado o Ministério russo das Relações Exteriores.

Durante passeata no interior, universitário é atropelado e morto

O universitário José Ernesto Méndez, 17, morreu atropelado em Carúpeno, na Venezuela, ontem, em manifestação que fechou rua. O motorista seria funcionário da empresa estatal venezuelana PDVSA e teria forçado passagem. Horas depois, na capital, Caracas, o líder opositor Leopoldo López se entregou à polícia em protesto com dezenas de milhares de pessoas.
Ele foi levado para centro de detenção. O Ministério Público o acusa de fomentar protestos contra o governo de Nicolás Maduro, que deixaram três mortos. “Apresento-me diante de uma Justiça injusta, que não julga de acordo com a Constituição e as leis”, afirmou Leopoldo.

Em Bangcoc, manifestantes exigiam a renúncia da premiê Yingluck Shinawatra, acusada de corrupção, quando houve choques com a polícia e quatro pessoas morreram — três civis e um agente. Cerca de 60 pessoas ficaram feridas. Os opositores seguiam, como há meses, acampados na frente da sede do governo. A polícia deu prazo de uma hora para que saíssem, mas eles ignoraram. Cerca de 180 foram detidos, acusados de violar estado de emergência.

Últimas de _legado_Mundo e Ciência