Por fernanda.magalhaes
Publicado 20/02/2014 22:46 | Atualizado 20/02/2014 22:51

Ucrânia - A Rada Suprema (Parlamento da Ucrânia) proibiu nesta quinta-feira a operação antiterrorista anunciada nesta quarta-feira pelos serviços de segurança e dirigida contra manifestantes radicais que tomaram dezenas de administrações e edifícios oficiais nos últimos dois dias.

Dos 238 deputados reunidos na sessão extraordinária da Rada, apenas dois se recusaram votar a favor da proibição, que foi aprovada por nove votos a mais dos que seriam necessários se a totalidade dos 450 legisladores ucranianos estivessem presentes.

A maioria pôde ser alcançada, entre outras coisas, pela saída de 12 deputados do governista Partido das Regiões, que abandonaram nesta quinta-feira mesmo as fileiras da legenda do presidente Viktor Yanukovich.

Aleksandr Yakimenko, chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla em ucraniano), anunciou nesta quarta a decisão de lançar uma operação antiterrorista em todo o país na qual poderia participar o exército.

Um dia antes que Kiev se transformasse em uma cidade praticamente em guerra, com pelo menos 75 mortos nesta quinta em enfrentamentos entre policiais e manifestantes, Yakimenko justificava este passo pela "escalada do confronto violento e o emprego em massa de armas de fogo por parte de grupos extremistas".

Deputados ucranianos assistem a sessão especial do Parlamento%2C em KievReuters

O líder do partido Batkivshina, Arseni Yatseniuk, exigiu ao presidente da Rada, Vladimir Ribak, ausente na sessão, que se apresente imediatamente no Parlamento para assinar a resolução da maioria de deputados.

Por sua vez, o deputado do Batkivshina, Sergei Sóbolev, ressaltou que a decisão do Parlamento já entrou em vigor e deve ser cumprida de forma imediata pelos oficiais que comandam os destacamentos de tropas nas cidades.

O descumprimento do documento "significará uma violação da Constituição", advertiu o legislador opositor.

Em outra resolução tomada na mesma sessão, a Rada "condenou categoricamente" a violência suscitada na Ucrânia, sobretudo no centro de Kiev, e exigiu às forças militares e policiais "pôr fim de forma imediata no emprego da força contra os cidadãos da Ucrânia".

O documento aprovado pela Rada obriga às forças do Ministério do Interior a desbloquear as vias de comunicações, as ruas e as praças de Kiev, algo que na prática significaria o fim da violência com a retirada de um dos grupos que protagoniza os enfrentamentos na capital ucraniana.

Em outra resolução motivada pela extraordinária situação de violência e caos em muitas cidades do país, a Rada decidiu realizar sessões todos os dias, pelo menos até que termine a atual crise.


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