Por fernanda.magalhaes

Bélgica - Os chanceleres da União Europeia concordaram nesta quinta-feira em impor sanções contra aqueles considerados responsáveis pela violência na Ucrânia, incluindo a proibição de viagens em direção aos 28 países do bloco, congelamento de bens na UE e restrições sobre a exportação de equipamentos antimotim (que podem ser usados na repressão interna), disseram ministros e autoridades.

As restrições, que serão transformadas em lei nos próximos dias, serão aplicadas a todos os considerados responsáveis por "violações dos direitos humanos, violência e uso da força" na Ucrânia, que deixou dezenas de mortos nesta semana. Em nota, o bloco disse que estabelecerá em breve uma lista com os nomes dos que serão afetados pelas sanções.

As propostas para a proibição de exportação de armas foram derrubadas. "A UE decide como questão de urgência o congelamento de bens e a proibição de vistos aos responsáveis pela violência e emprego da força excessiva em Kiev", disse o ministro das Relações Exteriores sueco, Carl Bildt, em mensagem no Twitter.

A chefe da diplomacia da UE%2C Catherine Ashton chega para um encontro de emergência sobre a Ucrânia com os ministros de Relações Exteriores da União Europeia, na BélgicaReuters

O bloco europeu agiu enquanto batalhas de rua entre manifestantes antigoverno e a polícia aconteciam nas ruas da capital desse Estado ex-soviético. Os EUA, que já ameaçaram impor sanções, cancelaram os vistos de várias autoridades ucranianas relacionadas com a violência policial.

O presidente Viktor Yanukovych e os manifestantes da oposição que demandam sua renúncia estão presos em um impasse sobre a identidade dessa nação de 46 milhões de habitantes, cujas lealdades estão divididas entre Rússia e o Ocidente. Partes do país – principalmente na região ocidental – declararam revolta contra o governo de Yanukovych no final de novembro, depois que ele abriu mão de um acordo há muito tempo esperado com a União Europeia em troca de um pacote de resgate de US$ 15 bilhões da Rússia.

Nesta quinta, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que mandará um enviado à Ucrânia a pedido do presidente para tentar mediar as conversas com a oposição. "Putin decidiu enviar o ombudsman de direitos humanos (russo) Vladimir Lukin nesta missão", informou a agência RIA, citando o porta-voz Dmitry Peskov, cuja declaração foi feita após uma conversa telefônica entre Putin e Yanukovych.

A mais recente violência começou na terça-feira, quando manifestantes atacaram linhas policiais e incendiaram pontos do lado de fora do Parlamento, acusando Yanukovych de ignorar suas demandas para realizar reformas constitucionais que mais uma vez limitariam os poderes presidenciais.

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