Massacre em Kiev choca o mundo

Mais de cem pessoas teriam morrido durante protestos contra o governo ucraniano

Por O Dia

Ucrânia - No massacre de ontem em Kiev, capital da Ucrânia, cerca de 70 pessoas morreram, fazendo chegar a aproximadamente cem o número de vítimas fatais desde terça-feira. De nada adiantou a trégua acertada, na noite de quarta, entre o presidente Viktor Yanukovich e líderes da oposição. Horas depois, centenas de homens romperam o cordão policial na Praça da Independência e voltaram a ocupar o local, reduto da oposição desde novembro. Foi o estopim para um dos mais violentos episódios no país em vinte anos.

Manifestantes com companheiro ferido durante os enfrentamentos com a polícia antimotim na Praça da Independência%2Cem KievEfe

O número oficial de mortos, até a noite de ontem, era de 75: 47 na mais recente batalha e 28 na terça-feira. Mas testemunhas — repórteres e militantes — garantem que as baixas já chegam a uma centena.

À noite, o Parlamento aprovou resolução — que depende de aprovação do presidente —, prevendo retirada de policiais das ruas, soltura de manifestantes presos, fim do uso de armas contra civis e indenização para famílias de opositores mortos.

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Nos confrontos de ontem, a polícia usou balas de borracha, mas também munição letal e franco-atiradores. Os manifestantes, por sua vez, atiravam pedras e coquetéis molotov. Também havia armas artesanais e militantes com rifles. Cerca de 500 pessoas ficaram feridas só ontem. O Ministério do Interior informou que 67 policias chegaram a ser mantidos reféns pelos opositores.

“A retomada dos confrontos na Praça da Independência durante a trégua é provocação deliberada do governo”, disseram militantes em comunicado. Já uma nota do gabinete de Yanukovich afirmou que os manifestantes “partiram para a ofensiva”.

Os chanceleres da União Europeia decidiram impor sanções contra a Ucrânia, entre elas proibição de vistos para dirigentes, congelamento de bens do país no exterior e restrições sobre a exportação de equipamentos antimotim.

Uma jovem voluntária ucraniana chegou a publicar que 'estava morrendo' no Twitter. Ela teria passado por uma cirurgia e seu estado seria considerado grave.

Após as mortes, o prefeito de Kiev abandonou o partido do presidente Yanukovich, em protesto contra “o banho de sangue”. O lobby de um hotel foi transformado em hospital improvisado. A selvageria fez com que o Ministério do Interior emitisse comunicado pedindo que moradores da cidade não saiam de casa.

O PAÍS
Fica no Leste Europeu e foi uma das repúblicas fundadoras da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Ganhou sua independência em 1991, após o colapso da União Soviética, tornando-se um estado soberano. Tem cerca de 46 milhões de habitantes e área um pouco maior que o estado brasileiro de Minas Gerais.

O INÍCIO DA CRISE
Em novembro de 2013, o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, ia assinar acordo de livre comércio e associação política com a União Europeia (UE). O governo russo, porém, fez pressão, e Yanukovich desistiu das negociações com a UE, estreitando mais os elos com a Rússia. Os russos teriam ameaçado cortar o fornecimento de gás e tomar medidas protecionistas contra o acesso dos produtos ucranianos ao seu mercado.

A DIVISÃO INTERNA
A língua oficial do país é o ucraniano, falado nas regiões oeste e central (onde fica a capital, Kiev). Esta fração da população quer que o governo se una à União Europeia. Já nas partes centro-leste, leste e sul, fala-se russo, e os habitantes preferem a influência da Rússia.

OS PROTESTOS
No dia 24 de novembro, milhares foram às ruas para exigir que o presidente voltasse a negociar com a União Europeia. Começaram os conflitos com a polícia. O povo ocupou a Praça da Independência, a principal de Kiev. Em 22 de janeiro, morreram cinco manifestantes. De lá para cá, a violência só aumentou, dos dois lados. Manifestantes se armaram com coquetéis molotov e invadiram as sedes de governos regionais. A polícia tem usado cada vez mais a força.

PROJETO COM BRASIL
A Ucrânia tem acordo de cooperação com o Brasil para o futuro lançamento do foguete Cyclone-4 ao espaço. O Brasil oferece localização geográfica privilegiada: a base de lançamento de Alcântara (Maranhão). A Ucrânia entra com o foguete, sem transferir tecnologia. O projeto existe há dez anos.

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