Mulheres desconhecem formas de tratar o mioma

Quase metade das portadoras do tumor não sabe que há técnicas menos agressivas e que evitam retirada do útero. Mal afeta 80% das brasileiras em idade reprodutiva

Por O Dia

Rio - Os miomas atingem 80% das mulheres em idade reprodutiva, porém a maioria delas desconhece os melhores tratamentos para combater o mal. E o pior: cerca de 45% não sabem que existem métodos menos agressivos de cura e alternativas à cirurgia de retirada do útero. Os dados são de pesquisa realizada pelo site Portal do Mioma, com a participação de 1,7 mil mulheres.
Elas responderam a um questionário com 20 perguntas. Na sondagem, a maioria (83%) disse que não gostaria de tirar o útero, procedimento chamado de histerectomia. Porém, 32% delas receberam essa indicação dos seus médicos. Além disso, 60% das participantes não sabem o que é embolização, procedimento moderno e que preserva o órgão.

Defensor da ténica menos invasiva, o ginecologista Michel Zelaquett, autor da pesquisa, explica que um cateter é introduzido, sem cortes, em uma artéria da virilha, que chega ao tumor. Pequenas esferas de um material que não causa reação são colocadas nas veias, impedindo a chegada de sangue ao mioma. “A técnica interrompe a nutrição do tumor. Com o tempo, ele se desintegra e morre. Entre sete e oito dias, a paciente está recuperada”, garante.

FÉRTIL APÓS TRÊS ANOS

O procedimento é indicado para quem quer engravidar, mas não a curto prazo, já que só após três anos a fertilidade volta ao normal. Tratamentos com medicamentos que induzem à menopausa temporária são opções.

Para Zelaquett, se a mulher não deseja ter mais filhos e prefere perder o órgão, a histerectomia deve ser feita. “Análise do ginecologista com exames mais detalhados em mãos deve chegar a uma alternativa”.

Miomas são tumores benignos que surgem no útero. O problema atinge em maior proporção mulheres em idade fértil, sem filhos, negras e que possuem antecedentes da doença na família.

Problema reduz fertilidade

Os principais sintomas do mioma são aumento do fluxo de sangue, fortes cólicas, dores durante o sexo e dilatação do abdômen . “Os efeitos abalam a qualidade de vida, já que interferem nas atividades do dia a dia, e mexem com a autoestima, por causa do inchaço na barriga”, diz o médico.

Em 30% dos casos, segundo o especialista, há danos na fertilidade e diminuição nas chances de a mulher engravidar.

O diagnóstico é feito através da ultrassonografia transvaginal, que deve ser realizada anualmente. Além disso, mulheres a partir dos 30 anos precisam ficar atentas, pois nessa idade a incidência começa a crescer.

Últimas de _legado_Mundo e Ciência