Por fernanda.magalhaes

Estados Unidos - Os EUA deram nesta terça-feira 48 horas a três diplomatas venezuelanos para que deixem o país em resposta à decisão do governo da Venezuela na semana passada de expulsar do país três diplomatas dos EUA.

A Venezuela acusa os norte-americanos de recrutar estudantes para liderar protestos em Caracas contra o presidente Nicolás Maduro. Os EUA consideraram as acusações como "falsas e sem fundamento".

O Departamento de Estado norte-americano afirmou que os diplomatas Ignacio Luis Cajal Avalos, Víctor Manuel Pisani Azpurua e Marcos José García Figueredo foram declarados "persona non grata".

"Essa convenção permite que os EUA declarem qualquer membro de uma missão diplomática persona non grata a qualquer hora e sem a necessidade de apresentar uma razão", disse o Departamento de Estado, citando a Convenção de Viena sobre relações diplomáticas.

Apesar de acusar Washington de estimular a violência que já deixou ao menos 15 mortos e cerca de 150 feridos desde um grande protesto em 12 de fevereiro, o governo venezuelano anunciou que planeja nomear um novo embaixador para os EUA. Segundo a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, as autoridades detiveram 579 pessoas, das quais 45 - incluindo nove policiais e membros da Guarda Nacional -, continuam sob custódia desde o dia 12.

Estudantes se manifestam em frente a Embaixada Cubana em CaracasEFE

As disputas entre os EUA e a Venezuela foram comuns durante a era do socialista Hugo Chávez, que morreu em 5 de março depois de governar o país de 1999 a 2013, e continuam no mandato do seu sucessor, Maduro, apesar de Washington permanecer como principal destino das exportações venezuelanas.

Os dois países não têm embaixadores de forma recíproca desde 2008. Apesar da tensão, o presidente disse que o seu ministro do Exterior nomearia um enviado para Washington nesta terça-feira para tentar ativar as relações. "A sociedade norte-americana precisa saber a verdade sobre a Venezuela", declarou Maduro em uma reunião com governadores na noite de segunda, no último dos seus discursos diários.

"Os norte-americanos acham que nós estamos matando uns aos outros. Eles estão falando de intervenção militar dos EUA na Venezuela. Que loucura! Se isso acontecer, você e eu sairemos com uma arma para defender o nosso território."

A atual crise provocou críticas do governo dos EUA e atraiu grande atenção. Celebridades como Madonna e Cher condenaram Maduro.

O ex-sindicalista de 51 anos, que venceu uma eleição apertada para substituir Chávez no ano passado, disse que a mídia internacional está alinhada com os "imperialistas" para passar uma imagem de caos e repressão na Venezuela.

O ex-jogador de futebol argentino Diego Maradona apoiou Maduro quando assinava um contrato para ser comentarista da rede de TV Telesur na Copa do Mundo no Brasil. "Estamos vendo todas as mentiras que os imperialistas dizem e inventam. Estou preparado para ser um soldado da Venezuela para o que for preciso", disse Maradona, amigo de Chávez e do líder revolucionário cubano Fidel Castro.

"Vida longa a Chávez, vida longa a Maduro, vida longa à Venezuela!", completou Maradona.

Parede grafitada em Chacao%2C Caracas durante os protestos contra o governo EFE

Protestos esporádicos continuavam nesta terça-feira, com estudantes bloqueando ruas nos distritos do leste de Caracas, onde o poder aquisitivo é maior.

Os estudantes querem a saída de Maduro por causa da criminalidade, da inflação e da falta de produtos básicos, como leite, farinha e açúcar. Eles também acusam o presidente de reprimir brutalmente os protestos. "Não saio daqui até que ele vá embora", disse o estudante Pablo Jiménez, de 24 anos.

Líderes moderados da oposição têm pedido manifestações pacíficas e questionam a tática de montar barricadas na cidade. Muitos dos moradores de Caracas têm permanecido em casa. Boa parte das escolas está fechada, assim como parte do comércio.

Os protestos são o maior desafio que Maduro enfrenta nos seus dez meses no poder, mas não há sinais de que ele possa ser derrubado.


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