Por tamara.coimbra

Peru - Os ministros das Finanças e de Minas do Peru apresentaram cartas de renúncia ao presidente do país, Ollanta Humala, após um desentendimento no gabinete sobre o salário mínimo que já provocou a saída do primeiro-ministro do poder, disseram fontes à Reuters na segunda-feira. O ministro das Finanças, Luis Miguel Castilla, um ex- economista do Banco Mundial que tem sido amplamente elogiado pelos investidores, está renunciando após dois anos e meio no governo de Humala, disseram três fontes do governo.

O ministro de Minas e Energia, Jorge Merino, também pediu para deixar sua posição como um dos principais gestores de uma vasta riqueza mineral do país, disseram uma fonte do governo e outra do setor de energia. As fontes falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade do assunto.

As fontes que afirmaram que Castilla e Merino estavam saindo não especificaram por que os ministros quiseram se afastar. Os ministros não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto. A saída deles ocorre após a renúncia do primeiro-ministro Cesar Villanueva.

Presidente do Peru%2C Ollanta Humala (esquerda) cumprimenta o ministro das Finanças Luis Miguel Castilla durante a cerimônia de posse de novos membros de seu gabineteReuters

Humala não confirmou se aceitou a renúncia de Castilla e Merino, que se mantiveram no poder apesar de várias remodelações do gabinete. Ambos ajudaram a tranquilizar os investidores de que Humala, um ex-oficial militar de esquerda, iria continuar a contar com políticas ortodoxas para gerir a economia do país em rápido crescimento.

Na manhã desta segunda-feira, Villanueva disse na TV peruana que Humala aceitou sua renúncia. O anúncio veio depois que ele disse a um jornal local na semana passada que estava trabalhando em um esforço para aumentar o salário mínimo junto ao Ministério das Finanças.

Castilla e a primeira-dama Nadine Heredia, uma conselheira próxima de Humala, negaram veementemente que o governo estava trabalhando no aumento do salário mínimo. A negação de Castilla na TV na noite de domingo foi amplamente interpretada como uma forma de constranger Villanueva e tirá-lo do poder depois de apenas quatro meses no cargo.

Humala ainda não comentou sobre a disputa interna. No entanto, a posse de novos ministros foi agendada para o fim desta segunda-feira.

Humala aumentou o salário mínimo duas vezes, para 750 soles (267 dólares por mês), depois de ter sido eleito com promessas de garantir que mais peruanos se beneficiem das exportações minerais do país. Villanueva é o quarto chefe de gabinete a se demitir do governo de Humala, que começou a segunda metade de seu mandato de cinco anos em janeiro, com um índice de aprovação de 26% - um dos menores desde que foi eleito em 2011.

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