Por julia.sorella
Arseniy Yatsenyuk Reprodução Internet

Kiev - Líderes do movimento de protesto da Ucrânia propuseram nesta quarta-feira um importante legislador como o próximo primeiro-ministro do país, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou grandes exercícios militares perto da fronteira em uma mostra de força e de aparente desgosto com a nova direção do país.

O novo governo, que deve ser formalmente aprovado pelo Parlamento na quinta-feira, enfrentará uma tarefa muito complicada de restaurar a estabilidade em um país profundamente divido no âmbito político e à beira de um colapso financeiro. O presidente pró-Rússia do país, Viktor Yanukovych, fugiu da capital durante o fim de semana.

Na Praça da Independência, em Kiev, o centro do movimento de protesto contra Yanukovych, os líderes interinos que tomaram o poder depois de sua fuga propuseram Arseniy Yatsenyuk como o novo primeiro-ministro do país.

Yatsenyuk, 39, é um ex-banqueiro milionário que serviu como ministro da Economia, das Relações Exteriores e presidente do Parlamento antes de Yanukovych chegar ao poder em 2010. Amplamente visto como um reformista tecnocrata, ele parece ter o apoio dos EUA.

A principal diplomata dos EUA para a Europa, Victoria Nuland, foi ouvida discutindo sobre Yatsenyuk e outras figuras da oposição ucranianas em uma ligação grampeada que foi vazada, dizendo "Penso que o Yats é o cara que tem a experiência econômica e de governo".

Um dos primeiros trabalhos de Yatsenyuk e de outros membros de seu novo gabinete será buscar ajuda financeira externa da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Economistas dizem que a Ucrânia está perto do colapso financeiro, com sua moeda sob pressão e seu tesouro quase vazio. O ministro de Economia em exercício disse que a Ucrânia precisará de empréstimos de resgate no valor de US$ 35 bilhões para aguentar os próximos dois anos.

Qualquer acordo desse tipo necessitará que um novo primeiro-ministro adote passos impopulares, como aumentar o preço da gasolina para os consumidores.

Em Moscou, Putin ordenou exercícios militares para testar a prontidão de unidades no centro e oeste da Rússia, disse o ministro da Defesa Sergei Shoigu. Segundo o ministro, o Exército tem o objetivo de "verificar a prontidão das tropas para ação em situações de crise que ameaçam a segurança militar da nação". As manobras, segundo Shoigu, envolvem cerca de 150 mil soldados, 880 tanques, 90 aeronaves e 80 navios.

Apesar de a Rússia ter negado que as manobras tenham qualquer conexão com a situação na Ucrânia, a maciça mostra de força parece ter a intenção de expor para as autoridades ucranianas e para o Ocidente que o Kremlin está pronto para usar todos os meios para proteger seus interesses. Embora a Rússia tenha prometido não intervir nas questões internas da Ucrânia, emitiu vários comunicados verbalizando preocupações com a situação dos falantes de russo do país.

Alguns observadores dizem que a Rússia poderia usar a força se vir violência contra os falantes de russo na Crimeia, que abriga uma grande base naval russo e onde a maioria da população fala russo. Brigas aconteceram entre manifestantes favoráveis e contrários à Rússia na capital regional da Crimeia, Simferopol, nesta quarta-feira.

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