Por julia.sorella

Caracas - A aliança que representa a maioria da oposição venezuelana anunciou sua recusa a participar nesta quarta-feira da Conferência Nacional de Paz convocada pelo governo para dialogar sobre a situação do país, por considerar que o convite representa um "simulacro de diálogo".

"Não nos prestamos para o que derivará em um simulacro de diálogo que desemboque em uma brincadeira com nossos compatriotas", disse em comunicado a Mesa de Unidade Democrática (MUD). A aliança opositora defendeu a necessidade de iniciar um diálogo para encontrar uma saída à escalada de violência que assola o país, mas ressaltou que as conversas não podem ser abordadas com "leviandade e improvisação".

"Não é momento para ouvir discursos e nem sequer para que apareçamos em um torneio retórico, perante os olhos de um país que se debate entre a ira e a angústia", declarou a MUD no comunicado. Após qualificar a situação do país como "grave", a MUD pede ao governo do presidente Nicolás Maduro "enfrentar a dura realidade" e estabelecer um diálogo "sem truques nem cartas escondidas" e em condições de "respeito mútuo".

Barricada na rua de Caracas durante protestoEfe

"Dialogar em termos combinados previamente, com uma agenda de assuntos relevantes ao interesse nacional, e com a participação de um terceiro de boa fé, nacional ou internacional, que facilite, garanta e, se for necessário, intermedeie, para que esse diálogo seja frutífero", detalhou o comunicado.

A MUD reiterou ainda suas críticas ao governo por supostamente reprimir os protestos de maneira "desmedida" e o acusou de estimularos protestos, em vez de acalmá-los. Maduro convocou no fim de semana o que denominou como uma Conferência Nacional de Paz para esta quarta-feira a fim de que todos os setores se reconheçam como venezuelanos e para dizer que querem paz.

O líder opositor Henrique Capriles manifestou nesta quarta-feira que, embora esteja a favor da paz, a oposição não fará parte de um "bloco (de carnaval)". A Venezuela está imersa em uma onda de protestos desde o dia 12 de fevereiro, quando uma manifestação pacífica em Caracas terminou em atos de violência contra edifícios públicos nos quais morreram três jovens baleados, incidentes pelos quais estão detidos vários membros do Serviço de Inteligência (Sebin). Segundo números oficiais, nos protestos morreram 13 pessoas, enquanto os meios de comunicação já falam em 15 mortos e mais de 150 feridos.

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