Por tamara.coimbra

Venezuela - O governo venezuelano propôs aos Estados Unidos que Maximilien Sánchez assuma como novo embaixador do país, apesar de acusar Washington de estimular a violência que já matou mais de 13 pessoas nos piores protestos em uma década na Venezuela. "A proposta de Sánchez - ex-embaixador da Venezuela no Brasil - será apresentada para a consideração do governo norte-americano", informou em comunicado o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela desta terça-feira.

Também na terça, os Estados Unidos deram 48 horas a três diplomatas venezuelanos para deixar Washington, em retaliação pela expulsão de três funcionários norte-americanos acusados de promover a onda de manifestações. As disputas entre os governos de ideologias opostas foram comuns durante a era do finado socialista Hugo Chávez, de 1999 a 2013, e continuam no mandato do seu sucessor, o presidente Nicolás Maduro, apesar de os EUA permanecerem como principal destino das exportações venezuelanas.

Os dois países não têm embaixadores entre eles desde 2008, e Maduro expulsou três diplomatas norte-americanos na semana passada, após acusá-los de recrutar estudantes para os protestos contra o governo. Apesar da tensão, o presidente disse que o seu ministro do Exterior nomearia um enviado para Washington nesta terça-feira para tentar ativar as relações.

"A sociedade norte-americana precisa saber a verdade sobre a Venezuela", declarou Maduro em uma reunião com governadores na noite de segunda-feira, no último dos seus discursos diários. "Os norte-americanos acham que nós estamos matando uns aos outros. Eles estão falando de intervenção militar dos EUA na Venezuela. Que loucura! Se isso acontecer, você e eu sairemos com uma arma para defender o nosso território."

A atual crise, na qual mais de 500 pessoas já foram presas e 150 ficaram feridas nas duas últimas semanas, provocou críticas do governo dos EUA e atraiu grande atenção. Celebridades como Madonna e Cher condenaram Maduro. O ex-sindicalista, de 51 anos, que venceu uma eleição apertada para substituir Chávez no ano passado, disse que a mídia internacional está alinhada com os "imperialistas" para passar uma imagem de caos e repressão na Venezuela.

Os protestos são o maior desafio que Maduro enfrenta nos seus dez meses no poder, mas não há sinais de que ele possa ser derrubado.

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