Por fernanda.magalhaes

Ucrânia - A Rada Suprema (Parlamento) da Crimeia, região ucraniana de maioria russoparlantes, propôs nesta quinta-feira a realização de um referendo para ampliar sua autonomia, uma decisão que veio à tona pouco depois dos distúrbios registrados ontem na capital republicana, Simferopol.

"Estamos convencidos que só um referendo para a modificação do estatuto de autonomia e a ampliação de suas prerrogativas permitirá aos cidadãos da Crimeia determinar por si mesmos, sem pressões exteriores, o futuro de sua autonomia", assinala a declaração da Presidência do Parlamento.

O Legislativo ressalta que a "Ucrânia está desembocando no caos, na anarquia e na catástrofe econômica" e, por isso, não lhe resta outra opção a não ser "assumir toda a responsabilidade sobre o destino da Crimeia".

"A Presidência do Parlamento considera que a única saída possível da atual situação é a aplicação dos princípios de democracia direta", destaca.

A declaração convoca todos os partidos políticos da Crimeia a deixarem de lado suas ambições pessoais para apoiarem a tomada de decisões vitais para os moradores da península.

"Crimeanos, como resultado de uma tomada anticonstitucional de poder na Ucrânia por nacionalistas radicais e com o apoio de grupos armados, a paz e a tranquilidade na Crimeia está sob ameaça", apontou o Legislativo em nota.

Pessoas marcham sob enorme bandeira russa durante protesto em Simferopol%2C na CrimeiaReuters

Nesta manhã, um grupo armado tomou as sedes de Parlamento e do governo em Simferopol, capital da Crimeia, que foi palco de tanto manifestações pró-russas e como de pró-ucranianas nos últimos dias.

Segundo a imprensa local, os responsáveis pelas invasões desta quinta-feira são militantes da chamada Autodefesa da População Russoparlante da Crimeia, entre os quais figurariam ex-militares e antigos agentes dos serviços secretos.

Na sequência, o ministro do Interior interino da Ucrânia, Arsen Avakov, ordenou pôr em estado de alerta a Polícia e as tropas dependentes de sua pasta (no sentido de ministério) que se encontram na Crimeia.

Nesta quarta-feira, o Parlamento adiou a sessão na qual deveria decidir se acata as decisões das novas autoridades de Kiev depois que explodissem os confrontos em frente ao edifício entre a maioria russa e a minoria tártara da Crimeia.

Os russos, que são maioria na Crimeia, acusam às novas autoridades em Kiev de usurpar o poder ao depor ao presidente Viktor Yanukovich e, inclusive, de querer impor a cultura ucraniana.

Já os tártaros, que defendem a unidade e integridade territorial da Ucrânia, se opõem à realização de um referendo separatista.

A Crimeia, península banhada pelo Mar Negro e que acolhe uma base naval russa (Sebastopol), é formada por 60% de russos, 25% de ucranianos e 12% de tártaros.


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