Por thiago.antunes

Rio - Ser carioca é ter nascido em qualquer pedacinho do mundo. Nesse caso, o dito popular cai como uma luva na vida de quatro estrangeiros que cresceram a milhares de quilômetros da Baía de Guanabara, mas escolheram viver no Rio. O violinista Nicolas Krassik nasceu na França; o sambista Jorgito e a professora de espanhol Lili Gerardi vieram da Argentina; e o ator Ricardo Pereira, de Portugal. Tornaram-se cariocas de espírito e de coração. Foram fisgados pela música, pelo bate-papo no pé-sujo, pela montanha, pelo mar, mas principalmente pela alegria de seu povo, apesar de todas as mazelas.

No dia em que a cidade completa 449 anos, eles contam ao DIA o que o Rio tem de tão especial. Por aqui desde 2001, o ‘francês-carioca’ Nicolas, 44 anos, se apaixonou pelo chorinho e pela descontração dos moradores. “É mais fácil ficar deprimido em Paris do que no Rio. Aqui, você entra no mercado e a atendente te chama de meu amor. As pessoas se olham e conversam”, conta Nicolas, que incorporou na sua rotina hábitos de um típico nativo.

O francês Nicolas%2C que toca violino numa casa noturna na Lapa%2C é apaixonado por chorinho%2C caipirinha e praia%2C como todo bom cariocaJoão Laet / Agência O Dia

“Me sinto em casa. Gosto de tomar caipirinha e encontrar amigos na praia. Sair à noite na Lapa e ir a rodas de samba. E as casas de suco? São uma invenção carioca”, ressalta Nicolas, que, por força da convivência, hoje já não é tão pontual. “Chego um pouquinho atrasado”, diverte-se o músico, que se apresenta às quintas-feiras no bar Semente na Lapa.

Como ele, o compositor Jorge Sápia deixou a terra natal, Buenos Aires, há 35 anos, e se mudou de vez para o Rio. Encantou-se por Copacabana e fez história no bairro vizinho, o Leme, onde fundou o bloco Meu Bem, Volto Já!. Fez mais de 30 sambas para os blocos de rua. “Sou muito feliz. Minha vida está aqui. Gosto da facilidade para fazer amizades, da espontaneidade do carioca, que tem alegria estampada no rosto, mesmo com todas as dificuldades”, reconhece.

Jorgito, pai de duas cariocas, que demorou a se acostumar com alguns costumes locais. “Achava estranho ficar em pé no botequim. Depois descobri que é uma precaução contra os chatos. Se chegar um, é só dizer que já estava de saída”, acha graça Jorgito.

Jorge deixou Buenos Aires há 35 anos. Encantou-se por Copacabana e fez história no Leme%2C onde fundou o bloco Meu Bem%2C Volto Já!Maíra Coelho / Agência O Dia

Sua conterrânea Lili, 58 anos, já havia feito 29 viagens ao Rio. Na 30ª, veio de vez. “É o único lugar onde me sinto em casa. Sou apaixonada pelo Rio. Mas ultimamente os cariocas estão estressados com a violência e o trânsito”, declara ela, que não gosta quando dizem que o carioca só gosta de praia. “Fico indignada. Às 6h, ônibus e trens estão lotados. É um povo batalhador”, disse.

O ator Ricardo Pereira acha que a alegria da cidade, assim como dos cariocas, contagiam a todos que vêm de fora com a vontade de nunca mais sair daqui. “São pessoas felizes e leves”, diz Ricardo, que trouxe para o dia a dia esportes ao ar livre, como surfe e trilhas.

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