Por fernanda.magalhaes

Ucrânia - A Procuradoria Geral da Ucrânia anunciou nesta sexta-feira o começo do processo de solicitação de extradição do deposto presidente Viktor Yanukovich, que se refugiou em território russo.

"A Procuradoria Geral espera, após apresentar em breve a solicitação (de extradição) a Moscou, receber uma resposta positiva da Procuradoria Geral da Federação Russa", informou um comunicado.

A nota ressalta que "a realização de uma entrevista coletiva em Rostov del Don por parte do cidadão ucraniano Viktor Yanukovich é uma confirmação do fato de seu paradeiro no território da Federação Russa".

Kiev lembra que o direito internacional e a Convenção Europa sobre a entrega de pessoas que infringiram a lei (1957) regulam os processos de extradição entre Ucrânia e Rússia.

Por sua parte, o procurador Oleg Makhnitski lembrou que a Justiça ucraniana autorizou a detenção do líder deposto para seu processamento penal.

"Foi parar na Rússia através da Crimeia com a ajuda de oficiais patriotas de um Estado desconhecido depois que a Ucrânia já tinha ditado uma ordem de busca e captura internacional contra Yanukovich", explicou.

Horas atrás a Procuradoria tinha antecipado que pediria a extradição de Yanukovich se fosse confirmado oficialmente que se encontra em território do país vizinho.

O comunicado oficial lembra que o foragido líder está acusado como suspeito de assassinatos maciços e premeditados, e de abuso de poder, e que a Justiça ucraniana ordenou sua detenção e a de vários de seus colaboradores mais próximos.

O Parlamento pediu nesta semana ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, que processe Yanukovich e outros antigos altos cargos por crimes contra a humanidade.

O presidente ucraniano deposto%2C Viktor Yanukovich participa de uma coletiva de imprensa na cidade do sul da RússiaReuters

As novas autoridades lhes acusam do "assassinato em massa" de cidadãos ucranianos "durante as ações de protesto maciças no período compreendido entre 21 de novembro de 2013 e 22 de fevereiro de 2014".

Yanukovich rompeu nesta sexta durante uma entrevista coletiva na cidade russa de Rostov del Don o silêncio que mantinha desde que foi derrubado no último dia 22 de fevereiro para afirmar que continua sendo o presidente legítimo da Ucrânia.

"Chegou a hora de dizer que tenho a intenção de seguir lutando pelo futuro da Ucrânia. Ninguém me derrubou... Tive que abandonar a Ucrânia pelas ameaças contra minha vida e minha família...", disse.

Segundo Yanukovich, o poder em Kiev "foi usurpado por nacionalistas e pró-fascistas, arruaceiros...que são a absoluta minoria dos moradores da Ucrânia".

"Nunca mandei a polícia disparar", assegurou Yanukovich, que acusou as potências ocidentais de contribuir à anarquia em seu país ao apoiar cegamente aos manifestantes.

Yanukovich se manifestou visivelmente doído com a atitude do presidente russo, Vladimir Putin, que ainda mantém um rigoroso silêncio sobre os fatos no país vizinho.

"Acho que a Rússia deve atuar. Conhecendo a personalidade de Vladimir Putin não entendo por que ele segue em silêncio. Esta é a pergunta", comentou.

A esse respeito, o procurador ucraniano tachou de "irresponsáveis" as afirmações de Yanukovich, já que não contribuem à estabilização do país, em particular na península da Crimeia, porque "estão dirigidas a agravar o atual conflito civil na península".


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