Putin não descarta invasão na Ucrânia

Presidente diz que vai se contrapor ao que classificou de golpe na Ucrânia. Obama critica russo

Por O Dia

Rússia - O tom entre Estados Unidos e Rússia subiu ontem em relação à crise da Ucrânia. De um lado o presidente russo, Vladimir Putin, declarou em entrevista coletiva que não abrirá mão de invadir o território ucraniano para confrontar o que chamou de um “golpe inconstitucional” contra presidente deposto, Viktor F. Yanukovych. Já o presidente norte-americano, Barack Obama, respondeu que as razões apresentadas por Putin, para justificar a incursão militar na Crimeia não enganam ninguém e que a ingerência russa na Ucrânia contribuirá para o isolamento de Moscou.

Putin deixou claro seu apoio a Yanukovych. As declarações do presidente russo foram dadas no dia em que a Casa Branca anunciou pacote de ajuda de US$ 1 bilhão à Ucrânia com a chegada do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, à capital Kiev para discutir a crise.

Afirmando que só há três formas legais de remover um presidente — por morte, renúncia ou impeachment —, Putin afirmou que Yanukovych concordou com tudo o que a oposição queria e ainda é o presidente legítimo. Apesar dessas declarações, ele indicou não achar que Yanukovych tenha “um futuro político”. A Rússia o ajudou por questões “humanitárias se não teria sido morto”.

O líder do Kremlin abordou as ameaças ocidentais de retaliação, incluindo sanções e boicote à cúpula do G8 que será na Rússia, afirmando que “todas as ameaças são contra produtivas e prejudiciais”. Ele acrescentou que seu país está pronto para abrigar reunião, mas que os líderes que não querem participar “não precisam fazê-lo”. O presidente norte-americano afirmou que a União Europeia e aliados como Canadá e Japão acreditam que a Rússia violou o direito internacional.

“O presidente Putin parece ter outra equipe de advogados, talvez outro conjunto de interpretações. Mas eu não acredito que esteja enganando ninguém”, declarou.

Segundo Putin, qualquer intervenção seria “legítima e dentro da lei internacional”.

CLIMA QUENTE NA CRIMEIA

As tensões continuaram altas ontem na estratégica Península da Crimeia, no sudeste da Ucrânia, com dezenas de soldados leais a Moscou que tomaram o controle da base aérea de Belbek disparando tiros de alerta para advertir cerca de 300 soldados ucranianos que exigiam retornar ao local. A Rússia enviou 16 mil soldados para a Crimeia, onde está baseada a Frota do Mar Negro.

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