Diplomatas debatem solução para crise na Ucrânia em negociações em Paris

UE prepara pacote de auxílio de US$ 15 bilhões para a Ucrânia, mesmo total oferecido por Moscou a líder deposto Yanukovych

Por O Dia

São Paulo - As bases para uma possível solução diplomática na Ucrânia surgiram nesta quarta-feira enquanto importantes autoridades russas e do Ocidente tentaram pôr fim a uma das piores crises na Europa desde a Guerra Fria. A União Europeia (UE) preparou um pacote de auxílio de US$ 15 bilhões para a Ucrânia, e os diplomatas europeus e ucranianos elaboraram formas para que todos os lados pudessem evitar um novo conflito global.

Apesar disso, tudo depende da Rússia, cujas tropas continuam na estratégica Península da Crimeia e que vê a Ucrânia como uma parte crucial de seu quintal geopolítico. O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, rejeitou se encontrar com seu homólogo ucraniano em uma dia de negociações em Paris nesta quarta-feira, de acordo com um graduado diplomata francês.

O que está em jogo na crise entrou em uma rápida escalada desde a fuga no mês passado do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych depois de meses de protestos de rua e da tomada de controle da Crimeia pela Rússia. A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) está abordando a situação da Ucrânia diretamente com a Rússia em uma reunião extraordinária em Bruxelas da aliança militar, originalmente criada como um contrapeso à União Soviética.

A Rússia está aberta à mediação internacional, mas um grande obstáculo tem sido a recusa de Moscou de reconhecer o novo governo ucraniano, muito menos sentar à mesa com eles, disse o diplomata francês. Ele descreveu os elementos diplomáticos que surgiram nesta quarta-feira como um "trabalho em andamento".

O chanceler britânico, William Hague, afirmou que uma demanda-chave era que o Exército russo recuasse para suas bases no Mar Negro para mostrar que refreava a escalada, mas ele não pressionou por um ultimato para quinta-feira, como diplomatas europeus inicialmente alertaram.

À beira do colapso econômico, a Ucrânia acusou a Rússia de uma invasão militar depois que as tropas pró-Rússia tomaram o controle da Crimeia no sábado, posicionando forças ao redor de seu terminal de balsas, bases militares e postos de fronteira. Moscou vem ameaçando Kiev de que porá fim aos descontos que dá em seu fornecimento de gás natural.

A oferta desta quarta feita pela UE se equipara ao pacote de resgate oferecido pelo Rússia a Yanukovych, que começou a enfrentar protestos em novembro depois abriu mão de um amplo acordo comercial e econômico com a UE para se aproximar de Moscou.

Mais tarde, a UE congelou os bens de 18 pessoas consideradas responsáveis por apropriação indébita de fundos estatais na Ucrânia, ecoando uma ação similar na Suíça e na Áustria. A divulgação da lista, que provavelmente teve como alvo funcionários no governo deposto ou empresários relacionadas a ele, ficou retida até quinta para evitar que qualquer um deles retire os fundos no último minuto.

Na Espanha antes de encontros planejados com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em Paris, o chanceler russo alertou contra o apoio ocidental ao que Moscou considera um golpe. Para ele, isso poderia encorajar a tomada de poder em outros lugares do mundo.

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