Papa afirma que Igreja deve analisar união gay

Ele quer entender por que alguns países optaram pela legalização

Por O Dia

Vaticano - Em entrevista ontem ao programa ‘Meet the press’, da TV norte-americana NBC, o cardeal de Nova York, Timothy Dolan, afirmou que o Papa Franciso quer que a Igreja estude as uniões homossexuais para entender por que alguns países optaram pela legalização. De acordo com o cardeal, o Papa não disse ser a favor do matrimônio gay, mas que “a Igreja deve buscar e ver as razões que levaram alguns países a aprovar uniões civis entre pessoas do mesmo sexo em vez de condená-las”, em mais um movimento de abertura em relação a um tema tabu para a Igreja.

Papa Francisco abençoa os fiéis no VaticanoReuters

Conforme o cardeal de Nova York, o casamento entre um homem e uma mulher não é algo que se refere somente à religião e ao sacramento, mas representa “um elemento de construção da sociedade e da cultura”. “E se retirarmos o significado sagrado do casamento, temo que não só a Igreja sofra, temo que a cultura e a sociedade também sofram”, justificou Dolan.
Em uma entrevista ao jornal italiano “Corriere della Sera”, na semana passada, Francisco afirmou que é preciso analisar caso a caso as uniões civis para casais homossexuais, mas reiterou que “o casamento é entre um homem e uma mulher”.

Ontem, após celebrar o Ângelus, o Papa deixou o Vaticano para um retiro quaresmal realizado fora da cidade-Estado pela primeira vez em décadas. Ele saiu antes do primeiro aniversário de seu pontificado, que acontecerá na Cúria Romana.

A decisão de celebrar a semana de oração e pregação na cidade de Ariccia, no Monte Alban, a cerca de 25 quilômetros do Vaticano, é mais um sinal de como o papa não tem medo de mudar as velhas convenções. Desde sua eleição em 13 de março de 2013, Francisco quebrou muitos costumes na busca para trazer mais simplicidade ao Vaticano, como viver em uma residência vaticana em vez de no Palácio Apostólico e usar um Ford Focus em vez de a limusine papal.O pontífice argentino disse que a Cúria deveria ser menos focada em assuntos internos da Igreja.

Francisco afirmou ontem que o primeiro domingo da Quaresma é o tempo para se lembrar de como Jesus rechaçou às tentações como conforto econômico e poder mundial. “Isso nos dá força e nos apoia na luta contra a mentalidade global que reduz o homem ao nível das necessidades básicas, levando-o a perder a fome pelo que é verdadeiro, bom e belo, a fome de Deus e de seu amor”, ressaltou o papa.

A eleição do primeiro papa não-europeu em 1.300 anos foi vista como um reflexo do desejo de trazer novas referências para o Vaticano e a Cúria.

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