Por joyce.caetano

Havana - Um avião da marinha vietnamita avistou um objeto que pode ser parte do avião da Malaysian Airlines que desapareceu na sexta-feira, com 239 pessoas à bordo, informou a Autoridade de Aviação Civil do Vietnã, neste domingo.

Diretor Geral da Malásia Agência Marítima olha para uma tela de radar enquanto procura avião desaparecidoReuters

A agência informou que está muito escuro para se ter certeza que o objeto é parte do avião desaparecido e que mais aviões serão enviados ao local pela manhã para investigar. O objeto foi avistado em águas no sul do Vietnã.

Familiar de ocupante de voo desaparecido chora a espera de informaçõesReprodução Internet

O avião desapareceu cerca de uma hora depois de decolar para Pequim, com teorias que vão desde uma pane súbita, um incidente a bordo que tenha causado uma falha elétrica completa, a algum tipo de acidente incomum. Uma grande operação de busca está em curso nos mares entre a Malásia e o lado sul do Vietnã, concentrada na região onde o avião fez o último contato.

Pilotos e especialistas em aviação disseram que uma explosão a bordo pode ter sido a causa do acidente. O avião estava em altitude de cruzeiro, a parte mais segura do voo, e, provavelmente, estava no piloto automático.

"Ou foi uma explosão, uma queda de raio ou uma descompressão grave", disse um ex-piloto da Malaysia Airlines. "O 777 pode voar depois de ser atingido por um raio ou até mesmo uma grave descompressão. Mas com uma explosão, não existe a menor chance."

Uma perda repentina da pressão na cabine pode ter causado uma descompressão explosiva e destroçado o avião, disse John Goglia, um antigo membro da diretoria do National Transportation Safety Board. Esse tipo de descompressão pode ser causado por corrosão ou fadiga do metal na fuselagem.

Investigação

O súbito desaparecimento do avião representa um dos tipos mais raros de desastres da aviação, e o mistério se mistura à incerteza de não se saber sob qual jurisdição o avião caiu. Baseado no último contato com os pilotos, presume-se que o Boeing 777 pode ter caído próximo da costa do Vietnã.

Quatro passageiros da aeronave estavam, possivelmente, viajando com passaportes roubados, levantando dúvidas sobre a possibilidade que tenha havido um ato criminoso, mas nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo desaparecimento do avião.

Aviões da força aérea localizaram pelo menos duas grandes manchas de óleo perto de onde o Boeing 777 desapareceuReuters

"Aviões não caem quando estão numa rota como essa", disse Paul Hayes, diretor de Segurança da Flight Global Ascend, uma empresa de consultoria de aviação, baseada na Inglaterra. "Esse é um evento extremamente incomum."

Apenas outro desastre recente teve características parecidas: a perda do voo 447 da Air France, que caiu no Oceano Atlântico, em 2009, na rota entre o Rio de Janeiro e Paris.

O incidente deve reacender um debate sobre a substituição das caixas pretas por sistemas baseados em satélites capazes de enviar dados de telemetria em tempo real. Esses sistemas existem, mas não foram utilizados até agora devido a questões de custo e logística.

Por enquanto não está claro quem vai assumir o comando para determinar o que aconteceu com a aeronave da Malásia.

De acordo com as regras da Organização Internacional de Aviação Civil, o governo do território em que o acidente ocorreu normalmente tem a jurisdição sobre os destroços e assume o controle da investigação. Por isso é provável que nenhuma autoridade possa assumir o comando, até que os destroços sejam encontrados.

Nesse caso, é provável que seja o Vietnã, mas se o avião caiu em águas internacionais, a Malásia terá o controle e os EUA estariam envolvidos porque o avião foi construído lá.

Saiba quem são alguns dos passageiros do voo desaparecido:

A grande maioria - 153 pessoas - são cidadãos chineses, de acordo com a lista de passageiros publicada pela Malaysia Airlines. Entre eles estava um grupo de 19 artistas proeminentes, que voltavam para casa depois de uma exibição na capital da Malásia.

Familiares de passageiro no aeroporto de Pequim%2C na ChinaReuters

Todos no grupo, liderado por Hou Bo, eram "muito famosos na China", segundo organizador da exibição Daniel Liau. Alguns eram grandes artistas de caligrafia do país, acrescentou.

Outros oito cidadãos chineses, bem como 12 malaios, eram empregados da multinacional americana de semicondutores Freescale.

"Nossos pensamentos e orações estão com aqueles afetados por este trágico acontecimento", disse em um comunicado o presidente da empresa Gregg Lowesaid.

Sabe-se também que cinco crianças, com idades entre dois e quatro anos, estavam a bordo do avião: três chineses e dois americanos.

O terceiro americano foi identificado como Philip Wood - um funcionário da IBM de 51 anos do Texas. "Eu sei que Philip está com Deus", disse sua mãe Sandra Wood, segundo a imprensa americana.

A pessoa mais velha na bordo tinha 79 anos. O piloto que liderou a equipe de 12 membros era Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos. Ele se juntou à companhia aérea em 1981 e tinha 18.365 horas de experiência de voo.

Mas as perguntas mais intrigantes permanecem sobre a verdadeira identidade de duas pessoas registradas como o austríaco Christian Kozel e o italiano Luigi Maraldi.

As chancelarias em Viena e Roma disseram que os dois não estavam de verdade no avião. Seus passaportes teriam sido roubados na Tailândia nos últimos anos.

Autoridades da Malásia disseram que agências internacionais de combate ao terrorismo de vários países juntaram-se à investigação e todos os ângulos estão sendo examinados.




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