Por bferreira

Rio - Pouca gente sabe, mas reduzir o número de mortes por infecção em UTI pode ser trabalho para um cirurgião-dentista. O acúmulo de placa bacteriana nos dentes e lesões na boca são as principais portas de entrada para bactérias e infecções hospitalares que podem levar à morte. Para reduzir essas estatísticas, um Projeto de Lei que está no Senado prevê a obrigatoriedade do profissional nas unidades intensivas de todo país.

A pneumonia hospitalar, por exemplo, uma das principais causas de óbito entre pacientes internados, é comumente originada por infecção bucal. Ela está no rol das principais doenças que podem ser evitada com supervisão especializada.

Segundo o autor do projeto, o ex-deputado e atual prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim, pessoas que vão para a UTI com doenças bucais e cardíacas normalmente não falecem pelos males originais, e sim por infecções contraídas nas unidades.

“O objetivo é poupar vidas humanas. Muita gente morre pela ausência de assistência odontológica nas UTIs. Com esse profissional de plantão, é possível monitorar processos inflamatórios e infecciosos na região da boca”, defendeu, acrescentando que países desenvolvidos já contam com o apoio.

A coordenadora do Serviço de Odontologia da Secretaria Estadual de Saúde, Viviane Albuquerque, destacou que os pacientes que precisam de aparelhos para respirar são os mais vulneráveis. Isso porque, nesse público, a proliferação de bactérias na boca é maior. “Uma grande quantidade delas fica no tubo respirador”.

E não são só as bactérias causam infecções. As lesões na garganta e traqueia criadas pela fricção da mangueira de ar da ventilação mecânica criam as chamadas ‘lesões por contato’, feridas que também são portas para os micro-organismos.

A rede estadual conta com dentistas nas UTIs nos hospitais Eduardo Rabello, Rocha Faria e da Criança.

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