Por bferreira

Rio - Cada minuto no atendimento a pessoas com acidente vascular cerebral (AVC) pode significar a diferença entre a sobrevivência e a morte. Pesquisa realizada na Austrália revelou que 15 minutos de atraso na administração de remédios anticoagulantes custam aproximadamente um mês de vida a vítimas de AVC. Por outro lado, cada 60 segundos de agilidade no tratamento podem significar 1,8 dia a mais de sobrevida ao paciente.

O estudo, feito pela equipe de Neurologia da Universidade de Melbourne, comparou 2.258 casos finlandeses e australianos e descobriu que a rapidez influencia diretamente na eficácia do procedimento médico.

A corrida contra o tempo é decisiva porque, sem receber sangue, as células cerebrais começam a morrer a partir dos três minutos. Quanto mais células morrerem, maiores e mais graves são as sequelas, é o que explica o cardiologista do Instituto Nacional de Cardiologia, Stephan Lachtermacher. Ele alerta que é preciso cautela, além da rapidez: “A tomografia computadorizada é primordial para pacientes com dificuldade de falar, confusão mental e paralisia de um lado do corpo”. O especialista lembra também que o remédio trombolítico, principal tratamento, só pode ser usado até quatro horas e meia após os primeiros sinais, senão os riscos de uma hemorragia crescem.

As sequelas afetam a autonomia. “Perdas motoras dos membros, na fala e na deglutição são comuns”, afirma Stephan. Os mais jovens conseguem reverter certos efeitos, pela capacidade de áreas do cérebro em adotar funções de outras afetadas. Isso não acontece nos idosos. Sessões de fisioterapia são importantes para amenizar as sequelas.

Atendimento de emergência

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estaduais têm protocolo específico para pessoas que chegam com sintomas de AVC: dificuldade de articular as palavras; paralisia facial, principalmente na boca; alterações motoras em um lado do corpo e confusão mental. O programa acontece em parceria com o Núcleo de Neurologia do Hospital Estadual Getúlio Vargas (HGV), que a oferece o principal tratamento para AVCs isquêmicos, o remédio trombolítico.

Desde o ano passado, quando pessoas com sintomas de AVC chegam nas 29 UPAs estaduais , é feito contato com o núcleo do HGV, que funciona 24 horas. A partir do atendimento remoto, os pacientes são encaminhados ao hospital. A trombólise já foi usada em 129 pacientes, com taxa de sucesso em torno de 95%.

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