Por thiago.antunes

Kuala Lumpur (Malásia) - O primeiro-ministro da Indonésia confirmou neste sábado que o Boeing 777 da Malaysian Airlines, que seguia de Kuala Lampur para Pequim, teve seus sistemas de comunicação desligados de forma deliberada. Um pouco antes do pronunciamento de Najib Razak, oficiais entraram na casa do piloto do vôo, Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, em busca de informações que ajudem a esclarecer o mistério. O vôo MH370 desapareceu no sábado passado de forma misteriosa.

“Estas ações foram deliberadas, dentro do avião, por alguém que estava nele”, afirmou o ministro. Najib Razak, no entanto, não disse categoricamente que o avião foi sequestrado, apesar de crescerem os rumores neste sentido. “É possível afirmar com alto grau de certeza que o sistema de comunicação da aeronave foi desligado antes que ela atingisse a costa Leste da Malásia.”

O primeiro-ministro Najib Razak%2C entre auxiliares%2C durante a entrevista coletiva em que descartou a hipótese de acidente no vôo MH 370Reuters

O ministro descartou definitivamente que o avião tenha desaparecido por conta de uma falha mecânica ou erro do piloto. “Mudamos o foco da investigação para a tripulação e os passageiros a bordo.” Razak disse ainda que logo após o sistema ter sido desligado, o avião mudou de curso de forma intencional e pode ter continuado voando por pelo menos mais sete horas. As informações tomam como base um radar militar da Malásia, que confirmou a brusca mudança de rumo e apontou que a aeronave retornou ao espaço aéreo do país antes de seguir para o noroeste.

“Um dos sistemas de comunicação do avião (o The Aircraft and Communications Addressing and Reporting System) foi desligado pouco antes da chegada à costa leste da Malásia.” Ainda segundo o primeiro-ministro, pouco depois o transpoder, que emite um sinal de identificação, também foi desligado, perto da fronteiras do país com o Vietnã. As autoridades que entraram na casa do piloto não deram informações sobre o que acharam. Zaharie Ahmad Shah vivia num condomínio fechado em Shah Alam, a 30 minutos da capital.

Copiloto foi advertido por levar mulheres à cabine

Há 32 anos na companhia, o piloto Zaharie Ahmad Shah tinha mais de 18 mil horas de voo e uma parafernália que o orgulhava: um simulador de voo que ele mesmo construiu em sua casa, com três telas de computador. Zaharie é descrito como um homem que fazia tudo muito bem feito, que gostava de cozinhar para serviços comunitários e dono de uma coleção de pequenos aviões de controle remote e dois helicópteros, onde se divertia e passava o tempo quando não estava trabalhando.

Mural com mensagens de apoio a familiares dos passageiros%2C no aeroporto internacional de Kuala LampurEfe

Já seu copiloto, Fariq Abdul Hamid, tinha 27 anos e uma anotação em sua ficha: em 2011, durante um voo de Phuket, na Tailândia, para Kuala Lumpur, ele e um piloto convidaram duas jovens para conhecer a cabine de comando e apreciar a paisagem. O escândalo veio à tona quando a sul-africana Jonti Roo publicou fotos nas redes sociais em que todos apareciam fumando e namorando. A Malaysia prometeu uma providência, que pelo jeito não passou de uma advertência.

Hipótese de pouso em terra cresce

Depois de seis dias de buscas infrutíferas, o foco das autoridades malasianas mudou completamente com as novas revelações sobre as pistas. Com a entrevista coletiva deste sábado, o primeiro ministro Najib Razak explicou que o avião deve estar em terra e que vai investigar dois ‘corredores’: o que fica ao norte, da Tailândia à fronteira entre Cazaquistão e Turcomenistão, é o mais indicado.

Assim, cresce a hipótese de que o avião está pousado, em terra. Há ainda um outro corredor ao sul, da Indonésia ao Oceano Índico. O anúncio de que dificilmente o avião sofreu um acidente foi recebido com alívio pelos parentes dos 239 passageiros, que agora voltam a ter esperanças de encontrá-los vivos. Dos passageiros que estavam no voo, 154 são chineses.

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