Nova Zelândia quer criar nova bandeira para apagar o passado colonial

'Deveríamos ser representados por uma bandeira que distingua a Nova Zelândia, uma bandeira que seja identificada imediatamente pelos neozelandeses e com os neozelandeses' disse o primeir-ministro do país

Por O Dia

Sydney - O líder do Executivo neozelandês, John Key, prometeu que se for reeleito no cargo em setembro colocará em referendo a substituição da atual bandeira afim de apagar o passado colonial e refletir a identidade do país.

"Deveríamos ser representados por uma bandeira que distingua a Nova Zelândia, uma bandeira que seja identificada imediatamente pelos neozelandeses e com os neozelandeses", disse o primeiro-ministro desse país nesta semana ao reavivar um debate que começou timidamente na década de 1970.

A proposta entrou na presente campanha eleitoral, antes dos pleitos gerais de 20 de setembro, depois que Key prometeu convocar um referendo antes de 2017 sobre a mudança de bandeira se for reeleito para um seguinte mandato, segundo a "Radio New Zealand". O governante opta por uma bandeira preta com uma folha de samambaia de cor prata, que foi incluída em vários símbolos nacionais como o escudo de armas da Nova Zelândia e algumas moedas do país, além de ser o emblema das equipes de críquete e de rúgbi.

Atual bandeira da Nova ZelândiaReprodução Internet

Esta bandeira tinha sido proposta em 1998 pela então titular de Assuntos Culturais, Marie Hasler, e seis anos mais tarde o empresário Lloyd Morrison criou o fideicomisso NZFlag.com para encorajar seus compatriotas a mudar de distintivo. Key, que se mostrou disposto a entabular um debate sobre o design, reconheceu que uma bandeira nem sempre tem o mesmo significado para todos os cidadãos e por isso algumas pessoas, no processo de considerar a possibilidade de adotar uma nova, "irão querer uma maior representação maori".

Com um tom mais humorístico, o informático alemão Kim Dotcom, que vive na Nova Zelândia e é requerido pelos Estados Unidos por suposta pirataria informática, propôs nas redes sociais uma bandeira roxa com o emoticon de uma cara feliz, em alusão à luta por uma maior liberdade no ciberespaço. A iniciativa causou mal-estar entre os monárquicos, um pouco antes da visita em abril do príncipe William, sua mulher e seu filho à Austrália e Nova Zelândia, e no marco dos preparativos pelo centenário em 2015 da aterrissagem das forças australianas e zelandesas em Gallipoli.

Uma enquete de 2011 apontou que 72% dos neozelandeses consultados se opunham à mudança, segundo o portal "New Zealand History Online". A atual bandeira neozelandesa é de cor azul, tem em seu canto superior esquerdo a "Union Jack" britânica, que combina os cruzamentos dos santos patrões da Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte. Além disso, tem quatro estrelas vermelhas com bordas brancas que representam o Cruzeiro do Sul. Mas esta bandeira é confundida com o da Austrália, que é de cor azul, e inclui a "Union Jack", mas se diferencia na cor das estrelas, assim como no número das mesmas.

O debate sobre a mudança de bandeira também chegou à Austrália, onde esta polêmica está ligada fortemente ao movimento republicano. Ali, o diretor-executivo de Ausglag, Harold Scruby, declarou à emissora local "ABC" que, apesar da Nova Zelândia ter a folha de samambaia como emblema, os australianos estariam divididos entre o canguru, o Cruzeiro do Sul, Uluru ou o emblema aborígine. A atual ministra de Relações Exteriores da Austrália, a conservadora Julie Bishop, assegurou à rádio "BBC" que os australianos não modificarão sua bandeira, como fez o Canadá em1965, ao mudar a "Union Jack" britânica pela emblemática folha vermelha de bordo.

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