Por clarissa.sardenberg

Honduras - O governo de Honduras espera frear o narcotráfico sul-americano com um bloqueio naval conjunto com os Estados Unidos, e outro aéreo, com seus próprios recursos, que permitirá a este país centro-americano até derrubar aviões suspeitos de transportar drogas no Caribe. O bloqueio naval foi anunciado pelo ministro da Defesa, Samuel Reyes. "Os Estados Unidos, através do Comando Sul, decidiram nos acompanhar pra fortalecer nosso escudo naval", declarou.

Reyes disse nesta semana que os Estados Unidos reativaram seu serviço de guarda-costeira em águas internacionais próximas a Honduras para apoiar o governo do presidente Juan Orlando Hernández na luta que empreendeu contra o narcotráfico. Hernández já havia declarado que o problema do narcotráfico em seu país "é de vida ou morte", devido às vítimas da violência que gera e que o escudo naval no Caribe "vai ajudar muito".

"O apoio deve ser integral, porque este não é um assunto só de Honduras, nós sofremos pelos viciados de lá dos Estados Unidos", expressou Hernández, que, ao assumir o poder no último dia 27 de janeiro, convidou Barack Obama para fornecer mais ajuda ao seu país e ao resto da América Central para combater o narcotráfico. Hernández também disse que para os EUA o problema da droga é somente um tema de saúde.

Duas semanas após ter assumido o cargo, chegou a Tegucigalpa o subsecretário de Estado dos EUA para Antinarcóticos e Segurança, William Brownfield, acompanhado do chefe do Comando Sul, John Kelly, que inclusive viajou ao Caribe hondurenho para observar a assistência de Washington.

Na última quinta-feira, Kelly insistiu em Washington perante o Comitê das Forças Armadas sobre as consequências de "um reduzido compromisso" dos EUA com a América Latina. Além disso, Kelly expressou o temor que os cortes orçamentários, que incluem a despesa do Pentágono e outras agências afetem a capacidade dos Estados Unidos para conter o narcotráfico e golpear os cartéis da droga na América Latina. Kelly também disse que a transformação de países como Honduras ou Guatemala em centros logísticos da droga aumentou a violência e destruiu instituições públicas tão importantes como a polícia e o Poder Judiciário.

Segundo Reyes, desde que Honduras anunciou que, segundo uma lei de exclusão aérea recém-aprovada pelo parlamento derrubará aviões suspeitos de levar droga que não acatem a instrução para aterrissar, os narcotraficantes mudaram suas rotas. Mas aparentemente aumentou a chegada de droga em contêineres ao caribenho Puerto Cortés, o mais importante do país.

Luta no país

Hernández iniciou com mão dura a luta contra o narcotráfico, lembrou o ministro da Defesa Reyes ao destacar alguns golpes como a apreensão de mais de dois mil quilos de cocaína em um contêiner de lixo procedente da Colômbia que atracou no Caribe hondurenho. Neste ano, as autoridades também desmantelaram pelo menos dois laboratórios para a produção de cocaína e outras drogas, e apreenderam dezenas de barris com químicos para esse mesmo objetivo, procedentes da Colômbia e da Alemanha, este último com a carga mais recente, confiscada na quarta-feira passada.

O presidente hondurenho reconhece as limitações de seu país na luta contra o narcotráfico, mas considera que o importante é que seu governo começou a enfrentá-lo com força. "Não estamos para chorar, mas para ver como vamos resolver um problema. Já começamos, acho que vamos com bons passos e firmes", expressou Hernández.

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