Por clarissa.sardenberg

Irã - Os países do grupo G5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) retomam nesta terça-feira em Viena as negociações nucleares com o Irã, com poucas expectativas de uma solução rápida, mas com a intenção de avançar rumo a um acordo durável que ponha um fim ao conflito atômico que já dura mais de uma década.

Catherine Ashton, a coordenadora do chamado grupo G5+1, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Yavad Zarif, dirigirão esta nova cúpula, como já fizeram há cinco semanas, também em Viena.

Um jantar previsto para ontem à noite entre Ashton e Zarif foi cancelado no último momento pelos iranianos. Segundo a agência de notícias austríaca APA, os iranianos quiseram dessa forma seu mal-estar por uma recente reunião, não estipulada com o governo iraniano, da Alta Representante de Política Externa e Segurança da União Europeia (UE) com ativistas de direitos humanos durante uma visita a Teerã.

G5+1(EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) retoma negociações nucleares com o IrãEfe

Se a cúpula de fevereiro foi qualificada como "um bom início" para uma negociação que se sabe será difícil e longa, o encontro desta semana tem como objetivo manter vivos os contatos e dar novos passos, conforme reconhecem ambas as partes.

A exigência iraniana de manter seu programa de enriquecimento de urânio, um combustível de uso militar e civil, é um dos aspectos mais polêmicos dessa negociação. Enquanto Teerã insiste que esse é um ponto não negociável e está disposto a demonstrar que seu programa nuclear é pacífico, os EUA e seus aliados afirmam que aceitam que o país continue enriquecendo urânio, mas de forma limitada.

Apesar de não ter sido divulgada uma agenda do encontro desta semana, espera-se que o formato da cúpula inclua tanto reuniões plenárias com os seis países como contatos bilaterais.

Os contatos entre Irã e as grandes potências puseram fim a anos de bloqueio nos quais Teerã se mostrou reticente a colaborar. Nações Unidas, União Europeia e EUA responderam com sanções que acabaram prejudicando a economia iraniana, muito dependente das exportações de petróleo.

Desde o ano de 2002, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenta esclarecer se o programa atômico iraniano é ou não pacífico. Até agora não alcançou evidências, mas indícios que levam a crer que o progama pode ter dimensões militares, um temor partilhado por Washington, Bruxelas e, sobretudo, Israel, que se sente ameaçado pelo programa nuclear iraniano.

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