Por clarissa.sardenberg

Rússia - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e os líderes da Crimeia e Sebastopol assinaram um acordo bilateral por meio do qual se acolhe a república da Crimeia e a cidade de Sebastopol à Federação Russa. A assinatura ocorreu em uma cerimônia solene diante dos parlamentares e chefes de todas as regiões russas reunidos na Sala São Jorge, no Grande Palácio do Kremlin. O presidente disse que Moscou não poderia deixar sem resposta o pedido de incorporação da Crimeia pois isto "teria sido uma traição". 

Putin afirmou que a " Crimeia sempre foi e seguirá sendo" parte de seu país, em um discurso feito diante dos parlamentares russos reunidos no Kremlin para anunciar sua decisão sobre a integração da região autônoma da Ucrânia. Putin foi recebido com granes aplausos pelos deputados e senadores. "Não podíamos deixar sem resposta o pedido da Crimeia e de seu povo. Não ajudar a Crimeia teria sido uma traição", completou o governante diante dos parlamentares russos.

Putin, líderes da Crimeia e Sebastopol assinaram acordo de integração da república e cidade à RússiaReuters

O tratado assinado pelo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Axionov, o chefe do parlamento, Vladimir Konstantinov, e o chefe da cidade de Sebastopol, Alexei Chali, diz ainda que os habitantes da Crimeia irão adquirir nacionalidade russa se "no prazo de um mês" não declararem o desejo de manter sua atual nacionalidade.

O acordo também contempla a realização de eleições regionais na Crimeia e municipais em Sebastopol em setembro de 2015. Até lá, as autoridades da Crimeia seguirão exercendo o poder. A república terá três idiomas oficiais, russo, ucraniano e crimeano-tártaro. A Crimeia tem dois milhões de habitantes, dos quais cerca de 60% são russos, 24% ucranianos e 12% tártaros.

Presidente nega futuras intervenções

Putin negou, como já fez outras vezes desde o início da crise, que as tropas russas tenham ocupado a península da Crimeia, como denunciaram a Ucrânia e a comunidade internacional. "As tropas russas sempre estiveram ali. O grupamento (da Frota russa do Mar Negro, em Sebastopol) foi reforçado, mas nem sequer superamos o limite de nossas Forças Armadas na Crimeia", estipulada com a Ucrânia em 25 soldados, explicou Putin.

O chefe do Kremlin lembrou que embora o Senado russo tenha autorizado o envio de tropas à Ucrânia em caso de uma escalada da violência no país vizinho, o direito não foi exercido. "Falam de intervenção russa na Crimeia, de uma agressão. É estranho escutar isso. Não lembro na história de nem um só caso no qual uma intervenção tenha sido realizada sem um só disparo e sem vítimas", argumentou.

Putin e líderes durante assinatura de acordo de integração no Grande Palácio do KremlinReuters

"Quero que me escutem, queridos amigos. Não acreditem naqueles que os assustam com isso de que depois da Crimeia seguirão outras regiões. A Rússia não procura dividir a Ucrânia. Não temos necessidade disso", afirmou Putin. O presidente se referia às regiões no leste da Ucrânia, que tem maioria de população russa, que segundo Putin será defendida por "meios políticos e diplomáticos". O presidente afirmou que no caso da Crimeia, a região "foi e seguirá sendo russa, e ucraniana e crimeano-tártara", mas frisou que a república "deve ficar sob a soberania da Rússia".

O presidente da Rússia ainda dise em discurso que no caso da Ucrânia, o Ocidente "passou dos limites". "Tudo tem seus limites, e no caso da Ucrânia nossos sócios ocidentais os ultrapassaram, se comportaram de maneira grosseira, irresponsável e pouco profissional, disse Putin diante dos parlamentares reunidos no Kremlin.


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