Por julia.sorella

Paris - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que faz campanha para que as Ilhas Malvinas sejam parte de seu país, disse que o referendo da semana passada na Crimeia é tão sem valor quanto aquele realizado no ano passado no território britânico no Atlântico Sul.

Há tempos Cristina vem clamando o arquipélago para a Argentina, que em 1982 entrou em guerra com a Grã-Bretanha pela posse do território.

"Este referendo (na Crimeia) não tem valor", afirmou a presidenta, falando através de um intérprete, em uma entrevista coletiva ao lado do presidente francês, François Hollande.

"Simplesmente não podemos defender a integridade da Crimeia e não a das Malvinas," afirmou. A Grã-Bretanha diz que a Rússia violou a lei internacional e a integridade territorial da Ucrânia ao anexar a Crimeia.

Cristina Kirchner e François Hollande em coletiva no Palácio Elysee, em ParisReuters

Os moradores das Malvinas votaram quase unanimemente para continuar sob domínio britânico em um referendo de março de 2013.

Os britânicos reivindicaram a posse das ilhas, localizadas na costa sul da Argentina, em 1833, apesar do argumento argentino de que as herdou da Espanha na independência e que a Grã-Bretanha expulsou uma população argentina.

"Que valor tem um referendo em uma colônia ultramarina a 14 mil quilômetros do Reino Unido?", indagou Cristina.

A Guerra das Malvinas, que matou cerca de 650 argentinos e 255 britânicos e terminou quando a Argentina se rendeu, é lembrada por muitos na Argentina como um erro humilhante da ditadura brutal e desacreditada que estava no poder à época.

A maioria dos países latino-americanos e muitas nações em desenvolvimento expressam apoio à Argentina, que renovou sua campanha desde que empresas britânicas começaram a prospectar petróleo e gás natural na costa das Malvinas, chamadas de Falklands na Grã-Bretanha.

"Deveríamos apoiar a integridade de todos os países. No final das contas, as Malvinas sempre foram argentinas, enquanto a Crimeia pertencia à União Soviética e foi entregue aos ucranianos por (ex-líder soviético Nikita) Khrushchev".

No dia 14 de março, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que a Crimeia significa mais para a Rússia do que as Malvinas para a Grã-Bretanha.

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